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domingo

O DIVÓRCIO, A LEI E JESUS

Texto de Walter L. Callison

O divórcio e o novo casamento são temas que geram muita discussão.

O meu propósito é convidar o leitor a reconsiderar a atitude da igreja em relação ao novo casamento.“ A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo “(João 1:17).

Será que os que estão sofrendo tragédias matrimoniais também receberam a graça, como descreve a Lei no Novo Testamento? É claro que afirmamos que a graça e a verdade vieram por Cristo Jesus. Então, como predomina a graça naqueles que sofreram a tragédia de um fracasso no matrimônio e um subseqüente divórcio? Cristo não ensinou apenas com palavras, mas também com sua vida. Ele deu novas idéias a seus seguidores, rejeitando o antigo ditado: “olho por olho, dente por dente” e enfatizando o amor, não entre eles mesmos mas em relação aos outros. Ele tirou a mulher da condição em que se encontrava e a fez ser reconhecida como pessoa. Ensinou também o respeito para com a antiga lei judaica.

Quando estudamos o que Jesus disse acerca do divórcio, devemos também estudar a vida que Ele levou junto com os que tinham destruído seu casamento, bem como o que ensinou sobre a lei judaica, especialmente a lei do divórcio. O que encontramos em suas palavras? Se uma pessoa divorciada se casa novamente, o que Ele nos diz? “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E, se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério?” (Marcos 10:11-12).
Nós podemos imitar a natureza compassiva e misericordiosa de Cristo, que enviou a mulher do poço em Samaria até a cidade para ser sua testemunha. Suas palavras, no entanto, será que negam suas ações? Por acaso as pessoas divorciadas que casam com outra estão vivendo em adultério? Estão proibidas de servir a Cristo? Devemos igualmente ouvir as palavras do apóstolo Paulo: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher” (I Tim. 3:2). Será que ele está falando de uma pessoa que se divorciou ou casou novamente? Sobre este aspecto, Lucas faz somente um comentário muito conciso: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério: e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério” (Lucas 16:17-18).

Bem resumido, mas Jesus deixou claro que o Antigo Testamento tinha algo significativo a dizer.Existe uma lei! Quando foi perguntado pelos fariseus, no Evangelho segundo Marcos, se “é lícito ao marido repudiar sua mulher”, Jesus respondeu com uma pergunta: “Que vos ordenou Moisés?” Tornaram eles: “Moisés permitiu lavrar carta de divórcio e repudiar” (Mc. 10:2-4). Há uma lei!A lei se encontra em Deuteronômio 24:1-4, escrita bem antes de Jesus vir ao mundo. Josefo, que viveu um pouco depois da época de Jesus, referiu-se a ela como a “lei dos judeus”:“Aquele que deseja divorciar-se de sua esposa, por qualquer motivo (muito comum nos homens), deve registrar por escrito que nunca voltará a casar com aquela mulher. Portanto, ela terá a liberdade de casar com outro homem. Entretanto, enquanto essa carta de divórcio não lhe for dada, não poderá fazê-lo” 1Esta é a lei de que fala Deuteronômio”: “Se um homem tomar uma mulher e se casar com ela, e se ela não for agradável aos seus olhos, por ter ele achado coisa indecente nela, e se lhe lavrar um termo de divórcio, e lho der na mão, e a despedir de casa; e se ela, saindo de sua casa, for e se casar com outro homem...”(Dt. 24:1-2).

Essa lei ainda estava vigente na época de Jesus. Portanto, temos de tratar dos “títulos” da lei.A Bíblia fala apenas de um divórcio. Deus diz que Ele o fez. Em Jeremias três, Deus recordou a Judá que estavam procurando problemas. Israel tinha sido levado cativo. Deus disse a Jeremias que prevenisse a Judá de que ela tinha sido testemunha da infidelidade de sua irmã Israel, e que Deus a havia mandado embora e lhe dado carta de divórcio; mesmo assim, Judá não se arrependeu (Jr. 3:6-8).Havia outras coisas que os homens podiam fazer com suas esposas.

Muitos se casavam com mais de uma mulher, sem sequer incomodar-se de pensar em divórcio. Alguns destes foram servos de Deus: Salomão, Davi, Abraão e Jacó, por exemplo. Heróis das revelações de Deus, mas também produto da sua cultura.Se não se divorciava, o que fazia um homem daquela época com a primeira esposa quando tomava outra? Punha-a de lado. Há uma palavra para isto no Antigo Testamento, a palavra hebraica shalach. Ela é diferente da palavra que significa divórcio, que é keriythuwth (como em Jer. 3:8), que literalmente significa excisão ou corte do vínculo matrimonial. O divórcio legal era escrito como pedia Deuteronômio 24, e o novo matrimônio era permitido. Shalach normalmente é traduzido por “repudiar”.

As mulheres eram “repudiadas” quando seu marido se casava com outra, para estarem disponíveis quando este necessitava dela ou a queria novamente, repudiadas para serem sempre propriedade, como escravas, ou ficando em isolamento total. Eram dias cruéis para as mulheres. Elas eram “repudiadas” para favorecer outras, mas não lhes era dada carta de “divórcio” e, conseqüentemente, tampouco o direito de se casarem novamente. Essa palavra descreve uma tradição cruel e comum, mas contrária à lei judaica. Algumas das injustiças e do terror experimentados pelas mulheres daquele tempo que eram “repudiadas” podem ser vistas na descrição que o Langenscheidt Pocket Hebrew Dictionary (McGraw-Hill, 1969) faz da palavra shalach:“A fé cristã lançou raízes e floresceu em uma atmosfera quase totalmente pagã, onde a crueldade e a imoralidade sexual eram normais e onde a escravatura e a inferioridade da mulher eram quase universais. A superstição e as religiões rivais, com todo tipo de ensinos errados, existiam em todo o mundo”.Deus odeia o “repúdio”.

O profeta Malaquias, com seu coração compadecido, implorou ao povo de Deus que parassem com isso. A palavra traduzida por “repúdio” em Malaquias 2:16 não é a palavra hebraica para divórcio, mas é shalach, repúdio. Veja como Malaquias responde aos líderes que perguntavam como tinham cometido abominação em Israel e profanado a santidade do Senhor: “Perguntais: por quê? Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança. Não fez o Senhor um, mesmo que havendo nele um pouco de espírito? E por que somente um? Ele buscava a descendência que prometera. Portanto, cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade. Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o Senhor dos Exércitos; portanto, cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis” (Mal. 2:14-16).

Depois veio Jesus, e suas palavras não negaram suas ações! “Ele falou disso quando disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido, também comete adultério” (Lucas 16:18). Todo aquele que faz isso comete adultério! Essa prática era cruel e adúltera, porém não se tratava de um divórcio.A palavra do Novo Testamento traduzida por “repúdio” vem do verbo grego apoluo. Esta é a palavra que os autores do Novo Testamento usaram como equivalente a shalach (“deixar”ou “repudiar”).

Existe uma palavra hebraica para divórcio no Antigo Testamento, keriythuwth, equivalente a uma palavra grega no Novo Testamento, apostasion. O Arndt/Gingrich Lexicon Del Nuevo Testamento indica apostasion como o termo técnico para uma carta ou escritura de divórcio, remontando até 258 a. C.Apoluo, a palavra grega que significa deixar de lado ou repudiar, não significava tecnicamente um divórcio, apesar de às vezes ser usada como sinônimo. Tratava-se de um termo de domínio total masculino: o homem com freqüência tomava outras esposas e não dava carta de divórcio quando abandonava as anteriores. A lei judaica que exigia que se concedesse carta de divórcio (Dt. 24:1-4) era amplamente ignorada. Se um homem se casasse com outra mulher, quem se importava? Se um homem repudiasse (apoluo) sua esposa, sem incomodar-se de lhe dar carta de divórcio, quem se oporia? A mulher?Jesus se opôs. Disse Ele: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei”(Luc. 16:17). E: “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério;e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também comete adultério”(Lucas 16:18).

A diferença entre “repudiar” e “divorciar” (no grego apoluo e apostasion) é crítica. Apoluo indicava que a mulher era escrava, repudiada, sem direitos, sem recursos, roubada em seus direitos básicos ao casamento monogâmico. Apostasion significava que o casamento terminava,sendo permitido um casamento legal subseqüente. O papel fazia a diferença. A mulher que tinha saído de casa podia casar-se com outro homem (Dt. 24:2). Essa era e lei. Como foi que começamos a ler “todo aquele que se divorcia da sua mulher” na passagem em que Jesus disse literalmente “todo aquele que repudia ou abandona a sua mulher?” Existem outras passagens, além de Lucas 16:17-18 em que Jesus falou desse assunto. Essas incluem Mateus 19:9, Marcos 10:10-12 (onde Marcos diz que Jesus determinou a validade da lei do homem igualmente para a mulher) e Mateus 5:32. Nessas passagens Jesus usou onze vezes alguma forma da palavra apoluo. Em todas as ocasiões Ele proibiu o apoluo, o repúdio. Ele nunca proibiu apostasion, a carta de divórcio, requerido pela lei judaica.Devemos traduzir a palavra grega apoluo por “divórcio”? Kenneth W. Wues, em sua tradução expandida do Novo Testamento, sempre vertia “repudiar” ou “deixar”, nunca “divorciar”. A tradução Revista e Corrigida de Almeida, a mais antiga em português, sempre usou “deixar” ou “repudiar”, da mesma forma a Revista e Atualizada.

Na versão mais antiga em inglês, produzida em 1611 por encomenda do rei Tiago (King James) temos um problema: em uma das onze vezes em que Jesus usou o termo, os tradutores escreveram “divorciada” em lugar de “repudiada” ou “abandonada”. Em Mateus 5:32 eles escreveram: “E aquele que casar com a divorciada comete adultério”. A palavra grega não é apostasion (divórcio), mas é uma forma de apoluo, a situação que não inclui carta de divórcio para a mulher. Ela, tecnicamente ainda estaria casada.Mateus 19:3-10 relata que os fariseus perguntaram a Jesus sobre esse assunto. Depois que Ele afirmou: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (v. 6), eles indagaram: “Por que mandou então Moisés dar carta de divórcio (escrita apostasion) e repudiar {a mulher}?” (v.7). Jesus respondeu: “Por causa da dureza do vosso coração” (v.8).O primeiro direito básico humano que Deus nos concedeu foi o de nos casarmos. Nenhuma outra companhia era adequada. Nos dias de Jesus os direitos humanos estavam concentrados apenas nos homens. Jesus mudou isso. Ele exigiu obediência à lei: demandou direitos iguais para a mulher no matrimônio.

A graça é abundante em Cristo Jesus! Jesus disse a esses homens que repudiar a esposa e casar-se com outra era adultério. Adultério! A lei (Deut. 22:22) prescreve a pena de morte como castigo para o adultério, tanto para o homem como para a mulher. Isso foi difícil de engolir para os homens que faziam com sua mulher o que lhes comprazia. Mateus 19:10 registra a seguinte reação: “Se essa é a condição do homem relativa à sua mulher, não convém casar!” Eles não viviam em uma cultura que esperava que o homem vivesse apenas com uma mulher por toda a vida, muito menos que desses direitos iguais à mulher se o casamento acabasse. Como foi que começamos a ler “aquele que divorciar sua mulher” nas passagens em que Jesus na verdade disse “aquele que repudiar ou abandonar sua mulher?”
Parece que o processo começou ali onde apoluo foi traduzido erroneamente como “divórcio” pela primeira vez, em 1611. A versão Standard Americana corrigiu o erro em 1901, mas nunca chegou a ser suficientemente popular para fazer muita diferença. Wuest teve o cuidado de evitar os erros mencionados, como vimos acima. Porém quase tudo o que foi impresso sofreu a influência da versão King James, e até os léxicos gregos americanos e os tradutores mais modernos parece que se deixaram influenciar por essa ocorrência, traduzindo apoluo por “divórcio”, mesmo quando o significado da palavra não inclui o divórcio por escrito (apostasion).

Assim, a tradição nos ensinou a ter em mente “divórcio”, mesmo quando lemos “repúdio”.Seria o divórcio por escrito a solução para a prática cruel do repúdio, como indica Deuteronômio? O capitulo 24 é uma evidência de que, assim como Deus ouviu as queixas no Egito e proveu libertação da sua escravatura, também ouviu as súplicas das mulheres escravizadas e as libertou do abuso, por meio de uma necessidade trágica, o divórcio. Trágica porque termina com algo que nunca deve terminar o matrimônio; necessária para proteger as vítimas daqueles que não obedecem as regras do nosso Criador, o Todo-Poderoso. Necessária, originalmente porque o homem repudiou a mulher, enredando-as em matrimônios ilegais, múltiplos e adúlteros. O divórcio é uma tragédia.

O divórcio é um privilégio, previsto como um corretivo para situações intoleráveis. É um privilégio que pode ser, e com freqüência é, abusado. O divórcio não é um quadro bonito, na maioria dos casos. Solidão, rejeição, um profundo senso de ter falhado, perda de auto-estima, crítica dos familiares, problemas com a educação dos filhos e muitos outros problemas assaltam os divorciados.O divórcio pode ser mais traumático que a morte de um cônjuge. A morte do cônjuge é difícil de ser superada, mas um cônjuge falecido não retorna mais. O divorciado normalmente retorna, e assim prolonga a situação.

O divórcio é, porém, como no tempo de Jesus, uma solução parcial para uma situação séria e cruel, e pode ser a única solução razoável. Pode ser necessária, mas sempre é uma tragédia. É fácil pregar contra o divórcio, mas é difícil para a igreja ser construtiva, provendo preparo para o casamento. Temos de estar prontos para prevenir alguns divórcios, ajustando nossas leis de divórcio ou proibições religiosas contra o divórcio, mas essas ações não prevêem o rompimento de matrimônios. Quando os casais permanecem juntos somente por preocupação com a notoriedade requerida pelas leis de divórcio, ou pela “segurança dos filhos”, o resultado pode ser uma tragédia.

Desastrosos triângulos amorosos, crueldade doméstica, abuso de crianças, homicídio e suicídio são algumas das conseqüências documentadas de casamentos que falharam, mas não terminaram. Que opção mais terrível! Um lugar em ruínas é uma tragédia, mas nunca esquecerei de um jovem que pôs uma pistola na boca, acabando, assim, com seu casamento como alternativa ao divórcio. Sua igreja tinha proibido o divórcio.Nossa taxa elevada de divórcios não é um problema real. O fracasso nos casamentos vem primeiro, depois o divórcio.

A taxa de divórcios é unicamente um indício da nossa alta taxa de casamentos ruins. Para corrigir isso temos de fazer mais do que pregar contra o divórcio: temos de revigorar os casamentos. Esse é o nosso desafio!Uma pessoa divorciada pode ser ordenada diácono ou pastor? O apóstolo Paulo, um homem instruído, conhecia a palavra grega para divórcio (apostasion) e conhecia sua cultura. Também sabia que Cristo aceita qualquer pessoa, até ele, o “maior dos pecadores” (I Tim. 1:15). É inquestionável que, naquela época, os homens tinham muitas esposas, escravas e concubinas. Cada uma dessas relações, abarcadas pelo termo poligamia, constituía adultério. Paulo rejeitou a escolha de homens nessa condição como líderes da igreja. A instrução de dar carta de divórcio em Deuteronômio 24 limitou o homem a uma só mulher, e ainda proibiu a poligamia e o adultério inerente a ela. Parece que Paulo concordava plenamente com isso quando diz: “É necessário, portanto, que o Bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar...” (I Tim. 3:2). Ele rejeita a poligamia, não o divórcio. Apesar de sérios abusos, a lei do divórcio (Dt. 24) ainda tem validade.
O divórcio é uma solução radical para problemas maritais insuperáveis. Ele termina com toda a esperança de que o matrimônio deve ser conservado, e declara publicamente que ele falhou. É preciso estar contrito nesse momento da verdade. O pecado relativo a essa falha tem de ser confessado. “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (I João 1:9).

Isso também inclui o perdão de fracassos no casamento.

Ao contrário do repúdio, a carta de divórcio, exigida pela lei, provê um grau de dignidade humana para mulheres sujeitas ao abuso cruel da poligamia adúltera e aos caprichos de homens de coração endurecido. Não há nada tão atordoante como “quero divorciar-me de você”, não é verdade? O divórcio declara o término legal do matrimônio, portanto, se houver qualquer acusação de adultério ou bigamia, qualquer das partes pode voltar a casar-se novamente. O divórcio rompeu todos os laços maritais e todo controle da esposa anterior. O divórcio exigia monogamia estrita, prevenia o término unilateral e preservava o direito básico de casar-se.O mesmo ocorre hoje abandono, negligência, deserção, o que se queira dizer do coração duro que deixa a esposa por outra mulher sem divorciar-se foi e está proibido pelo mesmo Senhor Jesus Cristo (Mat. 5:32; 19:9; Mar. 10:11-12; Luc. 16:18).

Durante séculos, muitas comunidades cristãs têm interpretado esses ensinos de Jesus da seguinte maneira:

1. O divórcio é absolutamente proibido, ou melhor, é permitido somente no caso em que se admite ou comprova o adultério.

2. Uma pessoa divorciada não tem permissão para casar novamente;

3. Uma pessoa divorciada que casa novamente vive em adultério;

4. Alguém que se divorcia não pode ser ordenado diácono ou pastor

Todas as pessoas que mantêm essas convicções estão erradas.

As três primeiras são contrárias à lei de Moisés e estão baseadas em um versículo em que Jesus nem sequer usou a palavra grega para divórcio (apostasion); a quarta está baseada em um versículo em que Paulo também não a usou. A palavra que Jesus usou foi apoluo, “repudiar”.

O problema do qual Ele estava tratando é o repúdio, não o divórcio.Uma pessoa divorciada deve ter muita graça e determinação para servir em uma igreja que adota as quatro posições mencionadas acima. Como isso é possível, quando a igreja é o corpo de Cristo na terra, que deve funcionar e servir como Ele o fez em pessoa? Cristo, que aquela vez levantou sua voz em Jerusalém, precisa olhar do céu para baixo e levantar a voz para nós. Ele veio e chamou Simão o zelote, um radical anti-romano, e Mateus, um rejeitado servo de Roma, uma dupla tão incompatível como dificilmente se pode encontrar em nosso mundo de hoje; mas Ele os pôs para trabalharem juntos em seu Reino.
Depois eles foram para a Samaria. Ele se revelou diante de uma mulher cujos antecedentes de fracassos matrimoniais eram vergonhosos, e enviou-a para compartilhar a revelação de Deus em Cristo, como se ela fosse como qualquer outra pessoa. Ele tem de levantar sua voz quando vê que desperdiçamos nosso tempo tentando calcular a quem podemos proibir de servir em sua igreja. Jesus ministrou abertamente a todos os que se achegaram a Ele. Hoje, muitos dos nossos amigos divorciados têm medo das nossas igrejas. Eles sabem que alguma não combina com a Bíblia, em nosso ensino sobre divórcio. Podemos estar corretos, estando tão opostos a Cristo?

Nossas interpretações tradicionais nos separam das pessoas que receberam a Cristo? Se for assim, estamos equivocados. Ele veio para salvar os pecadores. As únicas pessoas que Ele sempre rejeitou foram os que queriam justificar a si mesmos, os religiosos “justos”. Será que nossa compreensão das suas palavras é correta, simplesmente porque não está de acordo com a sua vida? Pessoas divorciadas são gente! Por séculos, elas têm sido excluídas da comunhão e do serviço, da alegria e da igualdade, e até da salvação; pessoas pelas quais Cristo morreu.

Seja o divórcio pecado ou não, essa exclusão com certeza o é!

O Senhor nos deu a sua graça para sermos canais da graça de Cristo Jesus para os divorciados.

Walter L. Callison

quinta-feira

Conselhos para sobreviver ao mundo gospel

Texto de: Ricardo Gondim.

O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno.

Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.

Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis.

O que fazer? Tenho algumas idéias.

Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre Cd de música ou de pregação - inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras - idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam.

Não vá a congressos - inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos "louvorzões". Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique, a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da "teologia da prosperidade". Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso.

Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério:

Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro?A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis?Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado.

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta.

So haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira - o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar.

Concordo, ninguém agüenta o jeito como as coisas estão.

Soli Deo Gloria.

quarta-feira

AVIVAMENTO À BRASILEIRA

(Texto de Caio Fábio no livro Avivamento Total )

"Avivamento à brasileira" é aquele Avivamento que tem muito legalismo, porém não conhece a Santidade. Nele se pode fazer o que não se deveria poder fazer; e não se pode fazer o que se deveria poder.

Este é o "Avivamento à brasileira": é cheio de emoção, entretanto, sem nenhuma conseqüência profunda de mudança de vida na existência daquele que se arrepia nos cultos.
Eu gosto de um arrepio, quem não gosta? Ninguém é de ferro, não é verdade? Aleluia! Oh, glória! Só que a gente pergunta depois: "e o que aconteceu?" Então, dizem que o culto foi uma bênção, que houve cada arrepio... Digo: "Olha, se você tirar a camisa ali na esquina, no ventinho da tarde, também arrepia". Outros me dizem: "O culto foi uma bênção! Havia gente caindo para todo lado. Cada sopro!" A minha pergunta, no entanto, é: "Escute, esse que Caiu no Espírito aprendeu a Andar no Espírito daí em diante? Ele aprendeu a se tornar um ser humano melhor? Ou ele caiu no culto e, em casa, caiu de tapa na mulher? Dependendo das respostas a estas perguntas eu considero a experiência válida ou não. Cair por cair não é comigo. Só vale a pena cair se pode levantar diferente!

"Avivamento à brasileira" é aquele que gosta de manipular o poder de Deus, mas que não aceita se submeter à Palavra do Deus de poder. O perigo é o de cair desmaiado no Espírito, mas não cair consciente diante do Trono de Deus. Isto porque poder espiritual pode até derrubar você, mas só a Palavra ensina você a viver com verdadeira lucidez espiritual.

"Avivamento à brasileira" é aquele que vibra com milagres extraordinários, mas que não vibra com a mesma alegria com relação à prática da justiça e da verdade. Quer ver uma coisa? Acontece comigo todos os dias, quando começo a pregar, e a dizer coisas que Deus faz. Digo: "Deus cura". O povo explode de alegria; "Ele liberta os endemoninhados", o povo pula até o teto; " Ele faz maravilhas na vida dos drogados e tira as prostitutas da prostituição", as pessoas quase babam de alegria. Então, eu digo assim: "Ele julga com justiça os iníquos da terra, e derruba de seus Tronos os governadores corruptos", o povo engole em seco e não diz nada, nem um amenzinho. Ora, "Ele bota o dedo na cara dos presidentes iníquos e os depõe". Ninguém grita aleluia nessa hora. Por que? A Bíblia porventura não diz a mesma coisa? O Deus que cura não é também o Deus da Justiça e da Verdade?

"Avivamento à brasileira" é aquele que celebra os números extraordinários dos que entram pela porta da frente da Igreja, mas que não vê a tragédia dos que estão saindo pela porta dos fundos (a porta dos fundos é mais larga do que a da frente). Li, há algum tempo, aterrado, assustado, apavorado mesmo, uma estatística que mostra uma pesquisa feita em duas instituições: uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro que revela o fato de que os evangélicos são a parcela da sociedade brasileira que mais contribui com a delinqüência juvenil. 42% das crianças que estão em alguns centros da FEBEM são filhos de membros de igrejas evangélicas. E por que é assim? A razão é simples: nós estamos mais preocupados com a possibilidade de que as pessoas venham a se dizer evangélicas, do que com o fato delas viverem ou não de acordo com o evangelho.

"Avivamento à brasileira" é aquele que se contenta em ver pessoas aprendendo a pular para Jesus em nosso cultos, mas que não tem nenhum compromisso de ensinar às pessoas a viver para Jesus no dia-a-dia. Daí haver muito mais festa e pulação no nosso meio, hoje, do que ministração séria da Palavra de Deus. Eu gosto de dar meus pulinhos, gosto muito de música alegre e de cultos arrebatantes. Entretanto, não se pode transformar tais coisas em mera estratégia para fazer a Igreja crescer, descuidando-se daquilo que é essencial: a pregação do arrependimento, da Cruz, da remissão dos pecados, da fidelidade a Deus e do compromisso com o estudo da sua Palavra.

"Avivamento à brasileira" é aquele que põe uma Bíblia nas mãos de cada crente, mas que não lhe infunde o conhecimento da Palavra de Deus no coração. E atenção: quanto mais transformarmos a Palavra de Deus apenas em um Livro, menos nós a teremos no coração. O Livro a gente carrega em algum lugar fora do corpo, a Palavra a gente só carrega no
coração.

"Avivamento à brasileira" é aquele que fala da derrubada dos ídolos pagãos da sociedade, mas que é inoperante quanto às curvas do ego autoglorificado dos líderes da Igreja ao Senhor dos Senhores. "Avivamento à brasileira" é aquele que coa os mosquitos das mais
legítimas alergias humanas, e engole os camelos das mais nojentas disputas de poder, manipulação das consciências e da falta de padrões mínimos de ética cotidiana.

"Avivamento à brasileira" é aquele que ensina que qualquer negócio é válido, desde que o resultado seja a pregação do evangelho. Conversando com um Deputado Federal em Brasília ele me dizia o seguinte: "Olha, eu tive uma surpresa, Pastor. Fui almoçar com um figurão em Brasília, e o senhor não sabe quem chegou lá, num helicóptero: o Presidente da República (aquele do Impeachment). Em conversa com o Presidente, ele me propôs: "Olha, se você fizer um lobby para mim aí, o que você precisar é seu." "Eu sou crente, e preciso muito de umas rádios pra pregar o evangelho no país inteiro." respondi." O que você precisar é seu," ofereceu o Presidente. "Eu vou votar a favor dele pra poder arranjar umas rádios para pregar o evangelho. O que o irmão acha?" perguntou o deputado. "Já vi essa oferta antes." eu lhe disse. "Onde?" perguntou curioso. Lembrei-lhe que no deserto da Judéia, um grande monarca disse: "tudo isto te darei se prostrado me adorares".

"Avivamento à brasileira" é aquele que dá a palavra a autoridades corruptas, mas que nega honra e voz aos santos e simples, mesmo que raros, que ainda existem em nosso meio. "Avivamento à brasileira" é aquele que vem para roubar (o dinheiro do pobre), matar (a alegria das almas mediante o legalismo) e destruir (as emoções humanas mediante à culpa), ao invés de ser para que tenham vida em abundância.

"Avivamento à brasileira" é aquele no qual se grita muito, mas não se chora nada; se canta muito, mas se louva pouco; se ajoelha com muita facilidade, mas se submete a Deus com extrema dificuldade; se prega com muita freqüência contra o pecado, embora o pratique com muita tranqüilidade e cinismo.

"Avivamento à brasileira" é aquele que ensina os cristãos a celebrar a sua abençoada prosperidade material com voracidade, ironia e impiedade em relação à miséria do resto da sociedade, sem compaixão alguma por ela. Há tempos, eu estava tentando motivar alguns líderes evangélicos a contribuir financeiramente com uma tragédia que havia acontecido em
algum lugar. A secretária da AEVB (Associação Evangélica Brasileira) telefonava para essas pessoas em meu nome, quando ouviu de alguém o seguinte: "Olha, diga ao Rev. Caio que eu vou mandar um dinheiro para contribuir, só em consideração a ele. Se não fosse ele que estivesse pedindo, eu não dava. Sabe por quê? Porque miserável, sem Deus, tem que morrer miserável! Não dou dinheiro para pobre sem Deus."Para ele o bem não é para ser feito a todo homem, conforme a Palavra de Deus. Que tragédia!

"Avivamento à brasileira" é aquele que é praticado por líderes evangélicos que proíbem os cristãos, em nome da fé, de fazer escolhas, politicamente lúcidas na história, circunscrevendo toda a importância da Batalha Humana às regiões invisíveis, enquanto eles mesmos, muitas vezes, fazem CABALAS POLÍTICAS aéticas, a fim de se favorecerem pessoalmente da alienação do povo nas instâncias mais concretas da história.

"Avivamento à brasileira" é o que está fazendo a Igreja no Brasil crescer muito, mas sem mudar nada no país. Esse é o Avivamento que tem que se converter em verdadeiro Avivamento, caso contrário, ele será a nossa maior catástrofe em, no máximo, 20 anos.

Preste atenção: se o "Avivamento à brasileira" prevalecer, possivelmente, teremos um país de maioria evangélica, mas cujas expressões de vida serão absolutamente parecidas com as dos períodos da história da cristandade na Europa, onde se tinha um rei cristão, uma corte cristã, um oficialato cristão, um povo cristão, ao mesmo tempo que tinham as mais perversas formas de exploração do próximo, as mais estranhas aberrações religiosas e as mais desavergonhadas associações entre a Igreja e o poder. E ainda, onde se tentava colocar Deus a serviço dos interesses megalômanos dos exploradores da fé. Onde a fé que salvava do paganismo circundante era um inferno que tornava a vida desses "salvos" uma desgraça de existência enferma e sem dignidade.

Concluindo, devo dizer que neste livro vamos estar falando sobre o verdadeiro Avivamento, o único que pode nos salvar desta igreja evangélica que pula muito, mas ora pouco; que tem Bíblias, mas não conhece a Palavra; que faz Batalha Espiritual nas regiões celestiais, mas
que não discerne os espíritos nas feiúras de suas relações humanas; que cresce muito, mas que perde muitos dos que "ganha"; que arrecada muito dinheiro, mas não sabe como usá-lo para a glória de Deus. Sim, somente o verdadeiro Avivamento pode nos salvar da destruição pelo "Avivamento à brasileira".

Caio Fábio, Livro "AVIVAMENTO TOTAL", disponível para download.

domingo

CEGOS DE VISÃO PERFEITA

Se vocês fossem cegos, não teriam culpa! – respondeu Jesus. – Mas, como dizem que podem ver, então continuam tendo culpa” (João 9:41)

Há crentes que possuem uma dificuldade enorme de enxergar. De SE enxergar.

Digo isso porque o que vejo é um monte de gente que se ufana por ser filho de Deus, de ir para o céu e de ‘ser melhor’ que os ‘infiéis’. E é exatamente com essa última declaração que começam os problemas dessa falta de visão e percepção de si mesmos.

Muitos se acham melhores do que os que não são crentes e por isso julgam gozar de uma superior espiritualidade, que na verdade na passa, na maioria das vezes, de superioridade auto-sugerida, um auto engano, em virtude da suposta detenção da informação histórica do evangelho, que nem sempre é colocada em prática.

Seguir Jesus não é virar um estereótipo da religião: aprender a linguagem, costumes e roupas que o identifiquem como ‘crente’; E sim uma atitude de espírito que vai além da letra e da fala e começa a ser demonstrada nos atos, nos tratos, no aconchego, no sofrimento, no alento e na importância que damos ao outro. É porque essa relação que temos com Jesus, só vai ser demonstrada de fato, não quando pegamos a bíblia e vamos até a igreja com as vestes adequadas ao ambiente religioso, e onde tudo se reveste da cerimônia do culto, e entramos no 'transe' do comportamento adequado ao lugar, e sim quando estamos no dia-a-dia, nos relacionando com as pessoas e conseguimos exalar o bom perfume de Cristo aos que estão à nossa volta, sem mesmo ter que abrir a boca para falar nada, posto que nosso agir, olhar e tratar nos denunciam como filhos de Deus.

Mas um grande número de crentes costuma mentir, enganar, passar a perna no amigo de trabalho para assumir tal cargo, bajular a chefia, entregar os outros, falar da vida alheia, se meter aonde não é chamado, querer tomar vantagem em tudo, comprar baratíssimo e vender caríssimo e... ainda assim se achar melhor que o outro apenas porque tem um cartão de membro duma igreja evangélica e/ou se julga conhecedor da verdade, o que lhe coloca num lugar de maior juízo diante de Deus, conforme disse Jesus!

Ora, se orgulham por conhecer Jesus, e conhecendo-o praticam coisas que são iguais ou piores que as praticadas pelos ‘ímpios’, posto que dizem que conhecem a verdade ao contrario daqueles, logo, estão passivos de um maior juízo, pois conhecem a verdade! E será que conhecem mesmo?

Jesus chegou para você como informação histórica e melodrama salvídico, que você chora porque o 'coitadinho sofreu tanto', ou como o salvador da alma, regenerador do espírito e garantidor da vida eterna, o Deus-Homem que sendo Deus se torna homem para se dar pela sua criação?

Jesus é apenas aquele que pode me valer quando a coisa está brava, um suporte, um amuleto psicológico, uma muleta espiritual, ou como o salvador da Alma, filho de Deus, que se importa comigo, e embora sendo eu quem sou ainda assim me ama?

Não importa como a mensagem de Jesus chegou até você, o importante é se depois a 'ficha caiu'!

É hora de olhar pra dentro, de parar de se auto-enganar e ‘examinar-se a si mesmo’ e ver o quanto precisamos ser modelados pelo grande oleiro! E saber que a diferença dos que se salvam e dos que se perdem, não está nas próprias forças ou atos justificatórios, ou na santidade ‘santarada’ que aprofunda ainda mais a alma na perversão, pela negação da própria humanidade sem submetê-la à Palavra de Deus; mas a grande diferença é a graça de Deus em nossa vida!

É necessário aquele 'segundo toque de Jesus' tal qual no homem que curado da cegueira, mas que ainda via 'homens que andavam como árvores'(Mc.8:22-26). São pessoas que conhecem Jesus mas ainda possuem uma visão deficiente!

Portanto quando você se julgar que vê, cuide para que não esteja ainda vendo 'homens que andam como árvores'!

“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas” ( Ap.3:18)

Moisés Almeida

quinta-feira

O CÉU - DESEJO DE TODO CRISTÃO

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap. 21:1)

Hoje não se prega muito sobre o céu. A teologia da prosperidade tirou o desejo do céu da alma de muita gente! Com a promessa de ‘um céu’ aqui na terra, onde o crente não fica doente, acumula riqueza, vive um ciclo infindável de prosperidade, quem quer ir para o céu? É melhor ficar aqui mesmo.

Por outro lado quando vejo certos pregadores falar sobre o céu, dá uma vontade enorme... de não ir pra lá! É um cenário muito tedioso: “um monte de gente cantando pra sempre sem parar, um rio de águas cristalinas, anjos voando de um lado para o outro, blá, blá, blá”.

Sinceramente existem parques de diversões mais interessantes que isso, e não fora a outra opção, o inferno, nem dá vontade de ir pra lá.

As visões de João na ilha de Patmos foi apenas uma sombra, um pequeno vislumbre do que realmente será o céu. João fazia comparações de coisas terrenas para exemplificar as celestiais, sem falar das inúmeras alegorias presentes no livro inteiro.

João na verdade viu apenas a vitrine do céu! A pontinha do Iceberg! O céu é muito mais!

João e Paulo falam de algumas coisas que não existirão no céu:

1 - Não existirão mais mares.
"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe" (Ap. 21:1).

2- Não haverá choro.
Não teremos nenhuma necessidade dessas coisas, pois os textos das escrituras implicam em que nem precisaremos de glândulas lacrimais. "(Deus) lhes enxugará dos olhos toda lágrima" (21:4). Segundo João, as lágrimas simplesmente não existirão no céu.

2 - Não haverá mais farmácias, hospitais, médicos, enfermeiras, ambulâncias, analgésicos ou receitas. João diz,
"Já não haverá... dor" (21:4).

3 - Não há inválidos no céu, nem cegos, surdos, ou corpos em declínio.
“Num momento, num abrir e fechar d’olhos, ao ressoar da última trombeta... A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Tss.15:50,52).

4 - Não haverá relógios no céu, pois o tempo não existirá mais.
João escreve que um anjo apareceu diante dele de pé sobre o mar e a terra. O anjo então levanta a mão para o céu e, segundo João, “Jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a terra, o mar e tudo quanto neles existe: Já não haverá demora” (Apocalipse 10:6).

5 - Não haverá templos. E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor, Deus Todo-poderoso, e o Cordeiro. Ap. 21:22 ( É, não tem 'igreja' no céu! rsrsrsrsr)

6 – Não haverá maldição: “E ali nunca mais haverá maldição” Ap. 22.3

7 – Não haverá noite, nem luz do sol, pois Deus é a sua lâmpada – Ap.22.5


Porém, tem muita coisa que Paulo nem João, nem José nem ninguém viu:

“ O que o olho não viu (olho de João, de Paulo), e o ouvido não ouviu, nem nunca subiu ao coração do homem, isso Deus tem preparado para aqueles que o amam”

Na verdade teremos a eternidade para explorar o céu e ainda será pouco para a glória que nos está preparada!

Fico triste quando vejo as pessoas se alegrarem com a notícia de que “ as ruas da cidade são de ouro” e suas mentes remetem apenas ao valor monetário da questão. Ora, o ouro é precioso aqui na terra justamente pela sua raridade, agora pergunto a você: que valor tem o ouro num lugar onde até as ruas dele são feitas? Nenhum! E aí está a mensagem! O que reportamos como mais preciso aqui na terra, não tem valor algum no reino dos céus, posto que na glória que haveremos de viver será de muito mais esplendor que nem todo ouro do mundo podem comprar!

Mas a maioria vai ver a cotação do ouro para ter uma visão monetária do céu!

É hora de tornarmos a ter ‘saudade’ do céu. Desejo do céu. Para que o céu não seja importante apenas para as ‘piadas, anedotas e contos’, mas sim a certeza e a esperança daqueles que crêem naquele que disse: “Eu irei e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu esteja, estejais vós também”.

Maranata! Ora vem Senhor Jesus!

Moisés Almeida

sexta-feira

O TANQUE

Texto de: Ricardo Gondim.

Era uma vez, uma cidade muito, muito importante; considerada o centro do mundo porque fatos notáveis aconteceram em suas colinas. Primeiro conhecida como a cidade de Davi, depois Jerusalém, ela se tornou a sede da religião dos judeus, cristãos e muçulmanos - que a consideram sagrada.

Em Jerusalém havia um chafariz que ficava próximo de uma feira de animais. Como sempre foi uma cidade bem mística alguém começou a dizer que as águas desta fonte eram miraculosas. Rapidamente, a notícia ganhou dimensões extraordinárias e espalhafatosas; no mercado, dizia-se que um anjo vinha do céu uma vez por ano, movia as águas e o primeiro doente que mergulhasse, seria curado.

Multidões se formaram, todos aguardando um milagre. A administração municipal de Jerusalém, interessada na romaria, mas também por razões humanitárias, resolveu construir um pavilhão para abrigar tanto enfermo. Edificaram um prédio imponente, com um alpendre de cinco pavimentos, que se lotava de paralíticos, cegos e doentes de toda a espécie. Devido a essa enorme expectativa, sempre adiada, de que uma pessoa (só uma) seria brindada com um milagre, o lugar foi denominado, ironicamente, de Betesda - que significa “casa de misericórdia”.

Conta-se que muitas famílias, para se verem livres dos doentes, os abandonavam nos alpendres do tanque de Betesda. Os ricos compravam escravos para os ajudarem a entrar nas águas. Alguns alugavam as bordas mais próximas, que possibilitavam melhor acesso. Todos queriam o seu milagre e, lógico, os mais abastados, sagazes e famosos, se sentiam perto da graça.

Os pobres e os doentes graves, os destrambelhados, acabavam no fundão do tanque. A esperança deles desvanecia, mas logo chegavam notícias, aqui e acolá, de que alguém acabava de receber o seu milagre - no mercado ao lado, os agraciados contavam sua história e os crédulos e atentos peregrinos que visitavam Jerusalém retransmitiam os testemunhos. Assim, a esperança de cura ficava adiada por mais um ano.

Jesus não vivia em Jerusalém. Aliás, ele residia longe desse ambiente supersticioso – em Cafarnaum, mas sabia dos boatos. Em uma de suas visitas à cidade, resolveu visitar o tanque de Betesda. Com certeza, o que viu foi pior do que lhe contaram.

As pessoas afirmavam que o anjo descia até o tanque anualmente, mas ninguém sabia a data exata. Irrequietos, os doentes mais hábeis saltavam, esporadicamente, para se anteciparem ao anjo. A confusão era constante. Os que se sentiam melhor, corriam pelos corredores gritando “aleluia” e outros, nervosos e frustrados, desmentiam os milagres. Vez por outra, levantavam-se profetas prevendo o dia preciso em que o anjo visitaria o local. Certos doentes jaziam por anos e anos em total mendicância, esperando o momento da cura que não chegava nunca. O estado de alguns era deplorável. Escaras cheiravam mal e piolhos podiam ser vistos a olho nu nos cabelos de certas mulheres.

Diante dessa realidade tão perversa, Cristo passou ao largo dos mais capazes, dos mais ricos e dos que menos precisavam de cura; dirigiu-se para um dos cantos esquecidos do tanque de Betesda e encontrou um homem que esperava por seu milagre há trinta e oito anos. Ninguém sabe seu nome, mas, com certeza era um pobre; sua família, ocupada com a sobrevivência, se esquecera dele fazia algumas décadas.

Jesus aproximou-se do paralítico e perguntou: “Você quer ser curado”? Ele respondeu dentro da lógica que aprendera: “Senhor, não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim”. De um só fôlego, Jesus ordenou: “Levante-se, pegue a sua maca e ande”. Imediatamente o homem pegou a maca e começou a andar.

A passagem de Jesus pelo tanque de Betesda aconteceu num sábado, o dia sagrado dos judeus, porque ele tinha um propósito: mostrar que a religião se preocupa, prioritariamente, com a sua estabilidade. Os religiosos sobrevivem da ilusão e não têm escrúpulos de gerar falsas expectativas em pessoas fragilizadas.

Quando aquele senhor abandonou o tanque de Betesda com a sua maca nas costas, Jesus deixou uma mensagem para a cidade de Jerusalém: "Os milagres que procedem de Deus não premiam quem souber se mostrar hábil, santo ou rico – Deus não faz acepção de pessoas, nem busca transformar os espaços religiosos numa corrida desenfreada pela bênção onde só os mais fortes sobrevivem".

O tanque de Betesda é metáfora que lembra a humanidade que Deus olha graciosamente para os desfavorecidos, para os que não têm a menor possibilidade de se safarem dos torniquetes perversos da injustiça, para os mais indefesos – órfãos e viúvas, por exemplo.

Cristianismo deve, portanto, assumir o compromisso de continuar visitando os campos de exilados (Darfur), as clínicas de Aids (África do Sul), as periferias miseráveis das grandes cidades (Brasil) para anunciar a mais alvissareira de todas as notícias:

Deus não se esqueceu dos pobres.

Soli Deo Gloria.

domingo

CUIDE DE SEU MAIOR MINISTÉRIO: SUA FAMÍLIA!

"Mas, e alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo".

Sempre vejo pessoas muito ligadas a atividades na igreja, e fazem disso a maior prioridade de suas vidas. Afinal, se deve ‘buscar primeiro o reino de Deus’ e assim as demais coisas são tratadas com menor importância.

Não é de admirar que muitos obreiros ‘bem sucedidos’ tem um péssimo relacionamento com sua própria família. São filhos desviados, enterrados nos vícios, a esposa mal amada, maridos mal cuidados, casas descuidadas entre outras coisas.

Conheci um obreiro que se preocupava muito em dar conselhos a rapazes e moças de sua igreja e não percebeu que estava perdendo o próprio filho, que precisava de sua atenção e ternura, e quase foi tarde demais.

Dentre os ministérios mais importantes que você tem em sua vida, o primeiro destes é a sua família.

Vejo pessoas que estão dispostas a pregar o evangelho até no Iraque, por amor a Jesus, mas não se importam com os desviados e descrentes de sua própria família, além de muitas vezes não ‘pregarem com suas próprias vidas’ para a conversão destes.

Ao invés de darem sua vida numa missão suicida na terra de Saddam, poderiam apenas pregar com suas vidas, num testemunho de fé e amor para a conquista de seus próprios familiares.

Muita gente leva à risca o ‘deixar pai, mãe, filhos, por amor de mim’ e o fazem as vezes de forma inconsciente. O que Jesus queria dizer é que Ele era mais importante e não que a família não tinha alguma importância. Paulo é enfático em dizer que devemos cuidar dos nossos, e diz mais que se não tomamos conta de nossa casa, poderíamos tomar conta da casa de Deus? (1 Tm 3:5)

Muitos obreiros só ‘conversam’ com seus filhos quando estes fazem algo errado e sua preocupação não é exatamente com eles e sim com sua própria imagem na igreja. Desejam que seus filhos sejam ‘exemplo’ para a comunidade, sem enxergar a humanidade deles! Viram carrascos para manter a aparência!

Muitos obreiros já não tem o prazer em sair num domingo para passear com sua família, comer aquela pizza, almoçar fora, fazer uma viagem, ou pelo menos perguntar como foi o dia de seu filho ou da sua esposa. Sempre tem uma atividade na igreja para cumprir, sempre tem um evento a participar. Possuem um senso de ugência tão tal em realção ao 'reino' que não podem parar um instante para os seus. São tomados pelo messianismo de salvar o mundo enquanto perdem sua própria família, e no final para se sentirem menos culpados, tentam se convencer que foi o ‘preço’ pago pela ‘obra’.

Que adianta ganhar o mundo todo de honrarias, ‘reconhecimentos’, e trabalhos, e perder o amor de sua família?

Acredite amado, no final o que fica é a nossa família. Um dia você será no máximo uma boa lembrança na vida de muita gente, mas será sua família que lhe ajudará no momento da velhice e doença.

Arrume tempo para sua família, ame, pergunte, chore, discipline, ria, sofra, gargalhe, cante e ore com, e pela sua família. Esse é o seu ministério! Quanto as demais coisas...lhe serão acrescentadas!

Moisés Almeida

HERESIA REPENSADA

Ricardo Gondim.

Heresia é a pretensa posse do monopólio da verdade por qualquer grupo, igreja, partido político, escola, cultura.


Heresia é a crença de que é possível legislar com leis eclesiásticas a moral pessoal, obrigações legais, negócios, relações conjugais, guerras, paz e comportamento sexual.


Heresia é o esforço de combater os diferentes com censura, intimidação, patrulhamento, rotulação, discriminação ou tortura.


Heresia é a redução da complexidade da vida a um maniqueísmo simplista, tipo: certo, errado; pecador, santo; ortodoxo, apóstata.


Heresia é a tentativa de preservar a literalidade de um texto enquanto se despreza a sua riqueza espiritual, mítica, alegórica. – “a letra mata, o espírito vivifica”.


Heresia é a sutil mistura de nacionalismo e teologia; a cínica ideologização da doutrina para cumprir a agenda do poder.


Heresia é a intolerância que vê os discordantes como inimigos de Deus; uma antipatia que sutilmente contamina os diálogos e inviabiliza os encontros.


Heresia é a defesa de pressupostos que não objetivam a vida, a humanização da história ou o cuidado com os desprotegidos.


Heresia é o pavor do novo; o medo de pensar fora da caixa; a timidez para assumir as convicções; a resistência de não sair da platéia opinativa e descer até a arena da vida.


Heresia é a veneração pelo texto sagrado a ponto de transformá-lo em um ícone.


Heresia é desprezar que a Palavra é arma agudíssima com um potencial devastador; com um poder incalculável de causar o bem ou o mal – a rapinagem de Isabel, a católica, nas Américas e o preconceito calvinista no aparthaid da África do Sul bastam como exemplos de que o mau uso da Bíblia pode ser arrasador.