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sábado

Musica de Deus e Música do Diabo?

Gosto de ouvir boa música.

Me fascinam as poesias e interpretações de grandes músicos brasileiros. Gosto das músicas de Chico Buarque, Osvaldo Montenegro, Djavan, Adriana Calcanhoto, e muitos outros; música para a alma, para quem consegue absorver a calmaria e serenidade de uma boa poesia cantada.

Mas... sou cristão graças a Deus!

E muita gente começará a me criticar a partir de agora por declarar isso.

O que eu queria mesmo era fazer você refletir sobre essa coisa de música de Deus ou do diabo, pois na maioria das mentes evangélicas, a única música possível de ouvir é a evangélica, qualquer outra melodia será do diabo, “não edificam”, dirão alguns.

Primeiro devemos entender que existem três espíritos operando no mundo:

1) O Espírito de Deus
2) O Espírito do Homem
3) O Espírito do Diabo

Quando falo de ‘espíritos’, estou me referindo não apenas a persona, mas ao conjunto de concepções, idéias, produções e sentimentos, provenientes dessas três fontes.

Dizer que todas as coisas do mundo se resumem em coisas de Deus ou coisas do diabo, é cair num reducionismo dualista, que está muito longe da verdade. Como falei, assim como existem três espíritos operando no mundo, existem produções desses espíritos também, na vida social, na economia, na religião, na música, em todas as esferas humanas.

A música é um dom. Que pode ser usado para o bem ou para o mal, como todas as coisas que Deus fez, ora, Deus fez o sexo e o diabo a prostituição, Deus fez o culto e o diabo a profanação. Lutero dizia que o diabo é o macaco de Deus, pois sempre procura imita-lo “ser semelhante ao altíssimo”, só que do modo inverso.

Existe a música do diabo, sim, é a música que profana, que exalta a prostituição, que louva a demônios, que incita à violência, é a música a serviço do mal.

Existe a música de Deus, é o louvor, é a forma de a criatura exaltar o criador, falar das grandezas de Deus, de seu amor, de sua salvação, do dom da vida, da esperança, da eternidade. Deus habita nos louvores.

Existe também a produção humana, que não está a serviço do mal, mas também não está ‘cantando a bíblia’, fala da natureza, das flores, da dor, da separação do amor, da mulher, da vida, é a poesia cantada, é o homem falando de si mesmo.

Ninguém acha que o poema JOSÉ, de Carlos Drumond de Andrade é do diabo, mas basta Paulo Diniz gravá-la musicalmente para virar coisa do demo? Pelo amor de Deus, vamos para de ser hipócritas e aceitar os fatos.

Existe sim muita música dita ‘do mundo’ de boa qualidade, musical e poética, músicas que enaltecem a natureza, outras que celebram o amor, outras que indagam sobre o sentido da vida. Há aquelas que lamentam um amor não correspondido, muitas que enaltecem uma musa ou um herói.

Também muita música evangélica de péssimo gosto, são música pobres poeticamente, 'luz' rima com 'Jesus', 'conduz', 'seduz', 'cruz', 'reluz' , com arranjos desarranjados e de péssima qualidade, sinceramente tem muitos hinos que eu só ouço na igreja, mas jamais perderia meu tempo ouvindo-a em minha casa, sem falar de erros doutrinários crassos contidos nas letras. (Se é pra falar de Jesus, que fale direito!)

É interessante notar a discrepância de nossas 'convicções' a respeito desse assunto, como diz Ricardo Gondim, no livro "É proibido: o que a bíblia permite e a igreja proibe", editora Mundo Cristão: "...agimos ambiguamente ao nos relacionarmos com a produção cultural dos não cristãos. Rejeitamos suas músicas, mas aceitamos suas descobertas médicas; julgamos ser o teatro algo estritamente mundano, mas aceitamos as propostas de um partido político e chegamos a franquear o púlpito de nossas igrejas aos seus discursos"..."Uma música para ser sagrada não necessita limitar-se em louvar a Deus ou versar sobre assuntos espirituais. A Bíblia contém um livro, Ester, que não trata diretamente de Deus (sequer o menciona), mas deixa sua presença implícita por todo o texto. Em Ester, Deus é louvado na história do comportamento dela como rainha, comportamento que se mostrou fundamental na preservação do povo judeu. A pureza do texto vem do tema que ela trata. Tudo o que engrandece a humanidade, enriquece o espírito, leva à reflexão da verdade ou faz questionar os valores da vida é digno. Na determinação da sacralidade de uma obra não há um imperativo de que sedirija sempre a Deus."

Existe muita gente boa também aqui do 'lado de dentro', e pra não me acusarem de só citar gente ‘lá de fora’, aqui vão alguns nomes de minha preferência : Josué Rodrigues com sua suavidade e poesia, Vitorino Silva , Marcos Góes, Grupo Logos e mais alguns que cometo a injustiça de não citá-los. Mas sinceramente, a grande maioria, se fosse viver do dinheiro que eu gasto com comprando seus cds, teriam que mudar de 'profissão', isso mesmo, porque 'cantar pra Jesus' agora virou profissão, existe um mercado, marketing e muito dinheiro envolvido. Não vou entrar na discussão de ser certo e errado, não nesse momento.

Os mercadores do templo, voltaram a fazer plantão!

Pois bem gente, nem toda música do mundo é do diabo e nem toda música evangélica é boa.

Respeitem vossas inteligências ...e vossos ouvidos!

Moises Almeida