Total de visualizações de página

Segunda-feira

VOCÊ ESTÁ DESVIADO?


Texto de Caio Fábio.

O Caminho de Deus em nós vai do pesado para o essencial. Vai da total dependência a outros até que se chegue apenas à total dependência de Deus!

Nascemos e somos completamente dependentes de cuidados de outros. Nossos pais e ou nossos guardiões nos são essenciais. Sem eles não sobrevivemos. No entanto, chega a hora em que ficarmos menos e menos dependente dele será a nossa saúde e salvação nesta existência. Enquanto moramos com eles ou somos por eles sustentados, temos que lhes ser dependentes, pelo menos no que diz respeito às decisões que pretendemos tomar na vida. Entretanto, vem a hora quando a saúde de ser nos compele a vivermos de nosso próprio sustento, e, além disso, impõem-se a necessidade de termos nossa própria casa e família. Então, deixamos pai e mãe, nos unimos a um outro, e fazemo-nos com ele ou ela uma só carne.

Com Deus é assim também. No início precisamos de muitos ajudadores espirituais. Sem eles somos como recém-nascidos indefesos neste mundo. Necessitamos que nos sirvam o genuíno leite espiritual. Chega a hora, todavia, que se espera que cada um cresça o suficiente para não mais dependermos de outros, mas apenas os reconhecermos como família espiritual, embora nossa vida seja vivida para além da necessidade de que outros nos sirvam. De fato, instala-se em nós outra a necessidade, que é a de servi-los.

Na viagem espiritual nascemos de Deus, mas precisamos muitos dos nossos guias e ajudadores na fé. Depois, no entanto, se espera que cada um cresça a fim de andar com as próprias pernas como resultado de nosso vínculo adulto com Deus na fé.

Daí em diante nossa relação com nossos pais espirituais passa a ser de carinho, gratidão e reverencia, mas já não de dependência. O mesmo se diz dos demais irmãos. Sim, os amamos e gostamos de com eles estar, mas já não por dependência. Surge apenas a alegria de amá-los e de servi-los. Todavia, já não necessitamos de ninguém para que sobrevivamos, talvez, exceto, no meio de uma grande crise ou calamidade. Espera-se que cada um aprenda a cuidar de si mesmo e de outros. E também espera-se que tenha na maturidade de seu casamento com Deus a sua própria segurança no caminhar.

Esse é o caminho para a maturidade tanto humana quanto espiritual!

Todavia, na maioria dos casos não é assim. E a razão é que “nossos pais”, no caso a “igreja”, nos “educam” para que j amais tenhamos tal autodeterminação em Deus. Desse modo, não somos educados para a vida, mas para a “igreja”. Daí a “igreja” criar eternos dependentes de si mesma, visto que pretende que seus “filhos” vivam sob suas asas; e mais: que a sirvam como filhos/escravos até ao fim da vida.


Seria e é [...] como se cada crente fosse e seja [...] como um adulto na idade, mas que vive com a atitude emocional de um bebê. Nesse caso, se qualquer coisa acontece [e acontece o tempo todo], a pessoa morre; posto que nunca aprendeu a viver de Deus e com Deus!


A “igreja” não quer que seus filhos se tornem adultos filhos de Deus!



Na realidade, a “igreja” cria filhos para ela mesma, não para Deus e nem para a vida. E, por esta razão, os filhos da “igreja” têm nela o seu “Deus”; e, nesse caso, jamais crescem para deixar pai e mãe, quando a idade chega, a fim de viver a vida com outra consciência.



É também por esta razão que os “crentes” vivem sem Deus no mundo o tempo todo; posto que a “igreja” [ou mesmo a Igreja], não seja Deus, mas apenas a família da fé.



Por esta razão, quando alguém se decepciona com “a família”, desvia-se de Deus; posto que para o crente a “igreja” é um “Deus”. É também por esta razão que todo crente que não esteja na “igreja” [por qualquer que seja a razão], sente-se desviado de Deus, além de que se declara que ele está de fato “afastado de Deus” em razão de não estar frequentando as reuniões “de família”, ainda que “família” seja louca ou totalmente tirânica e adoecida.



A verdadeira Igreja tem que ser como pais bons e conscientes que criam filhos para a vida em Deus!



Mas, infelizmente, não é assim na maioria dos casos. Afinal, o Cristianismo, em qualquer de suas versões, é Católico/Constantiniano, posto que ensine que “fora da igreja não há salvação”.



O problema é que muitos não têm essa compreensão, e, quando enxergam as “loucuras da família” afastam-se do convívio humano adoecido, não buscam mais nenhuma outra comunhão humana, e, no processo sentem-se separados de Deus para sempre!



Cada um de nós precisa de comunhão humana, tanto quanto se precisa de vínculos familiares. No entanto, mesmo que os nossos pais nos abandonem ou nos traiam, diz o Senhor: “Eu te acolherei!”



Mais uma coisa: todos os que assim discernem a vida em Deus, nunca ficam órfãos de irmãos!



Pense nisso, cresça e deixe a sua orfandade!



Nosso Pai tem muitos filhos!



Nele, que nunca nos deixa órfãos,



Caio

Quinta-feira

Homossexuais na Igreja ?

Resolvi escrever sobre isso por causa de um caso que me foi trazido, e mesmo sabendo da repercussão do que falarei aqui, não posso deixar muitos a sofrer por causa da igreja evangélica que não consegue entender a questão homossexual à luz do evangelho, mas apenas com os óculos do preconceito e da ignorância.

A igreja não admite a existência (e convivência) com homossexuais. Nem pensar!

Mas o fato é que, a realidade é mais forte do que se imagina.

Existem homossexuais cristãos evangélicos!

Não estou falando da igreja gay. Estou falando da sua igreja!

Choquei alguém? Virei herege? Calma.

Antes que acendam a fogueira, deixem-me explicar. Não quero ser mártir de nada.

A igreja prega que a pessoa que aceita a Jesus tem a vida transformada, é uma nova criatura e portanto, toda velha natureza morreu, e... Bem, temos aquele cara, vamos chamá-lo de João, que era um mulherengo desregrado, não deixava passar nada, e agora, cansado dessa vida, João ouve falar do evangelho e ‘aceita’ Jesus (conforme o modelo evangélico: levanta a mão, vai à frente, recebe uma oração e pimba! Está salvo!).

Daí em diante, esse João é outra pessoa. Não tem mais aquela vida de orgia, não bebe mais, não fuma mais, agora cuida mais dos filhos, ganhou respeito da família e da comunidade, e incluisve já é cotado para assumir alguma posição na igreja.

Acontece que, em dado momento da vida, João percebe que certos desejos às vezes afloram. Desejos que, conforme ele aprendeu, deviam estar mortos, sepultados. Mas vez ou outra ele se perde em seus pensamentos.

Às vezes até na igreja, ao ver aquelas jovens lindas entrando na igreja com suas roupas cada vez mais ligadas ao corpo, mostando suas silhuetas e ele começa a se incomodar com aquilo. Não consegue evitar os pensamentos, mas se entristece com o fato deles ainda existirem.

Tem dia que se uma mulher nua aparecer na frente dele, ele a repreenderá em nome de Jesus. Mas tem dia...que se uma mulher vier vestida com roupa de astronauta, só de olhar pro rostinho dela de dentro da máscara espacial, dá pra imaginar o corpão que ela tem!

Então, pensa logo que é uma fraude, uma mentira. Talvez não tenha sido tão ‘iluminado’ assim. Talvez lhe falta alguma coisa. Pensa até em parar na caminhada. Assumir de vez que é um pecador, e que não conseguiu vencer os desejos.

Cansado, João procura um irmão amigo, e lhe confessa suas culpas, que lhe consumam por dentro. Aqueles desejos inconfessáveis estão agora sendo expurgados, vomitados. Ele precisava se aliviar, como quem quer ir ao banheiro.

O Irmão o ouve e depois, lhe diz o que de fato está acontecendo.

O irmão lhe diz que: Ele tem pulsões carnais, fruto de sua concupisciência, e todos tem suas pulsões, fruto de suas próprias concupisciências, que nos tentam, nos desafiam, nos fazem perceber quem de fato somos.

O que João sente é o que todo mundo sente, cada um na sua, ‘cada qual no seu canto e em cada canto uma dor’.

Esses pensamentos acometem a todos: inveja, ódio, luxúria, mentira, dissenssões, iras, pelejas, disputas, ciúmes, e tudo o que habita no coração do homem ‘ de onde procede todo mal’. O fato de ter ‘aceitado Jesus’ não o faz perder sua humanidade, nem deixar de ter a aguilhão do pecado e da concupisciência ferroando a alma. O espinho na carne. Crer em Jesus, lhe faz saber e conviver com isso, submetendo cada vez mais meu corpo e meus desejos à vontade de Deus, e que cada vez que me encho de oração e da Palavra, essas coisas terão menos poder sobre mim, embora ainda existam em mim. De outra sorte, se me encho de pensamentos impuros, leitura erótica, sites pornográficos, inveja da prosperidade alheia, ódio e ciúme desmedido, estarei inflando e ressuscitando essa múmia que repousa no sarcófago de sua alma.

João ouve o irmão falar-lhe sobre essas coisas e volta feliz pra casa ao saber que não está sozinho nessa jornada. Que irmãos em toda terra passam por problemas menores, iguais e maiores que o dele. E que Deus o ama assim como ele é, pra fazê-lo sempre melhor.

A história de João, nosso personagem fictício, não é fictícia. É a história de muitos Joões e Joanas, gente que lê esse blog, frequenta os cultos de sua igreja, faz sermões maravilhosos, cantam hinos lindos, mas, quando estão sozinhos consigo mesmos, enfrentam suas interrogações, seus pecados interiores e inconfessáveis.

Bem, mas o que isso tem haver com o tema proposto? Explico.

Pecado é pecado. Não estou aqui pra justificar ou despecaminar nada que a Bíblia chame pelo nome de Pecado. Mas não posso fazer diferença de pecado e pecado, em relação ao que Deus pensa sobre ele.

Homossexualismo é pecado. Mentira é pecado. Inveja é Pecado.

Mas quantos mentirosos você conhece e convive na sua igreja? E dos invejosos? E dos avarentos? E dos iracundos? (Galátas 3), porventura isso não é pecado? Sim, mas é um pecado ‘tolerável’, ‘permissível’. “...Fulano prega bem, mas só não acredite em tudo que ele conta, mas ele é uma benção...” foi o que ouvi de certo pregador.

Ora, a igreja seleciona os pecados que deseja punir e os que deseja tolerar.

Então você dirá: vamos então a caça às bruxas! Vamos excomungar todos os que tem esses sintomas. Stop!!!!....Então esvaziar-se-á as igrejas! “Se gritar pega ‘ladrão’...não ficar um, meu irmão!”

O que quero dizer é que, se olharmos para a Palavra, não há um justo, nenhum sequer. Leia o livro de Gálatas e veja se você escapa ileso.

Então não se salvará ninguém? Estamos todos perdidos? Não. É por isso que somos salvos pela graça! Não existe ninguém merecedor do céu. Não existe ninguém que agrade a Deus. Não. Somos salvos pela Graça!

Significa entã que posso pecar à vontade e estou salvo? Não! A graça não nos chama pra libertinagem, mas para a liberdade ( leia nesse bolg : LEGALISMO NA IGREJA EVANGÉLICA, sobre a graça)

Agora imagina que outro irmão, vamos chamá-lo de Léo, ao contrário de ser mulherengo fosse homossexual, com alguma ou nenhuma experiência sexual (muitos o são apenas np nivel da alma) E pela mesma experiência viesse até Jesus, e depois se encontrasse em conflito?

Se de vez em quando, logo após aquele culto maravilhoso que ele contou seu testemunho de que fora mudado por Deus, ( porque a igreja adora esse tipo de propaganda) , quando está sozinho sente uma pontada do passado ferroando sua alma?

Então Léo vai a um irmão, que logo, diz a ele que lhe falta transformação, que esse sentimento é motivado por forças malignas, que ele não está totalmente ‘liberto’, que o capeta o está atormentando.

Ora, qual a diferença entre pecado e pecado? Nenhum!

O que muda no máximo são as consequências imediatas de cada pecado. Nada mais. Mas o que fazemos? Escolhemos quais pecados condenar junto com a classe de pecadores que pecam esse tipo de pecado, e quais pecados tolerar com sua classe de pecadores mais digeríveis!.

Ah! Como somos hipócritas!

Existe gente de Deus, séria, salva em Jesus pela graça mediante a fé, que tem as mais variadas concupisciências que afloram nos momentos de fraqueza, e que não são menos merecedoras do céu do que você ou eu!

Não estou justificando o homossexualismo. Não. Jamais. Homossexualismo, como todos os ‘ismos’ desse mundo é uma tentativa fazer modelos, e nesse caso, de parecer normal e aceitável sua conduta repreensível.

Daí surge a PL 122 que tenta criminalizar quem pensa diferente deles. De jeito nenhum!

Eles procedam da forma que quizerem, mas não podem fazer calar quem pensa de forma diferente.

De igual modo repudio qualquer ‘igreja de homossexuais’, imagina depois uma ‘igreja de mentirosos’, ‘igreja de avarentos’?

Não dá pra ficar aglomerando as pessoas pelas sua concupisciências, que embora naturais quanto à carne, devem ser mortificadas no Espirito.

O que estou defendendo é que, existem milhares de irmãos e irmãs, sinceros, que padecem disso em nossas igrejas, e sofrem, por acharem que são os piores pecadores da terra! Que lutam, oram, jejuam e não conseguem se ‘libertar’ desse ‘mal’.

Agora pense nisso. Reflita e veja se não estou falando a realidade. Não busco aqui nesse espaço a unanimidade, jamais! Mas falo com minha consciência acerca do evangelho.

Mas qual a origem dessa inclinação? É o diabo? É a carne?

Ora, a natureza humana é caída.

Alguns cristãos se gabam por não padecer daquela ou desta concupisciência, como se a sua fosse melhor que a do outro. Parece brincadeira: “o meu pecado é melhor que o teu”. Somos todos pecadores e carecemos da graça de Deus!

Do pastor ao bebum, não se salva nenhum, sem a graça de Deus!

E Jesus disse que muitos ladrões e prostitutas estão entrando primeiro no reino, que muita gente com pedigree religioso!

Sei que muita gente vai arrumar mil argumentos para tentar negar o que digo aqui, e outros me danarão por dizer o que digo, (ainda bem que o céu não pertence a eles) porém, não estou aqui filosofando, estou partindo de uma simples e sofrida constatação.

É tão simples!

Estou aqui pra dizer pra essa gente boa de Deus o seguinte:

Continuem firmes, não se entreguem ao pecado, mas também não sofram e nem orem por isso, apenas creiam na Palavra, e saibam que assim como eu posso ser ‘tocado’ ao olhar uma mulher interessante, não sou melhor nem pior que vocês que sofrem com seus sentimentos.

Apenas submetam-se à Palavra. Mantenham a fé.

Lidem com a verdade, e consciência será aliviada.

Não pensem que não são libertos. Pois sob este ângulo que defendo aqui, ninguém o é!

Somos libertos quanto à escravidão do pecado e suas consequencias eternas.

Permaneçam na abstinência sexual ilícita.

Se solteiros não se casem a fim de ‘curar-se’.

Se casados, não padeçam sozinhos, como se ‘enganassem a quem vocês amam”, saibam, existem muitos iguais a vocês passando essas mesmas tribulações.

Cada um na sua, com suas concupisciências, somos todos iguais.

Não dá mais pra tapar o sol com a peneira! É a hora de trazer tudo à Luz !!!

Moisés Almeida

DECADÊNCIA

É impressionante o número de igrejas que se multiplicam a cada dia.

As motivações dessas criações é me perturbam.

Não são iniciadas pela paixão pelas ovelhas, mas a cobiça de suas lãs.

Não são abrigos das almas aflitas para ajudá-las em suas necessidades, mas são currais eleitorais.

Não são lugares de liberdade em Cristo onde as pessoas se sintam as mais libertas do mundo, mas prisões do medo, do castigo divino e das maluquices doutrinárias.

Na maioria das vezes surge com um sujeito carismático, problemático em sua igreja de origem, em geral não bem sucedido em sua vida financeira, que vê a oportunidade de mudar de vida, ganhar respeito e honra de seus futuros liderados e dinheiro para viver melhor que qualquer uma de suas ovelhas.

Depois se espelham em ‘negócios’ bem sucedidos, e os imitam: rosa ungida, oração forte, campanhas, sacrifícios e todas as maluquices e esquisitices neopentecostais.

Sem esquecer é claro, da mais importante das doutrinas: a do dízimo.

Pronto: temos mais uma ‘igreja’, mais um alçapão de almas, mais um curral eleitoral, mais um grupo de cabestro.

Fazem campanhas para arrebanhar mais e mais seguidores, pois mais gente significa mais dinheiro e com mais dinheiro consegue-se recursos para agariar mais seguidores que significa mais dinheiro...

Um grande aliado nessa hora é o diabo e sua trupe. Ficar expulsando os espíritos, dos fiéis, que são incitados (ou pagos?) para entrar em transe, é de muita valia para impressionar.

Colocam programas na TV, e imploram que as pessoas contribuam com a ‘obra de Deus’. Engraçado: eles ‘bolam’ as artimanhas, os estratagemas, as denominam de ‘obra de Deus’ e você é que tem que pagar por isso.

É um bom negócio: o cara entra com a ‘cara, a coragem e o blá-blá-blá’ e você entra com dinheiro!

Essa é a verdadeira teologia da prosperidade – deles!

Com um bom dinheiro em caixa, até dá pra criar uma fundação, uma escola, pra dar uma sacramentada na questão da responsabilidade social, e um pano de fundo de seriedade a tudo.

Quem sabe no futuro pode até comprar uma rede de televisão com o dinheiro dos dízimos e ofertas, e fazê-la concorrer com a maior rede de tv do país, contratando artistas dessa última à peso de ouro, pagos com o mesmo dízimo e ofertas das ovelhas, fazendo um exécito de influência para modificar a opinião pública a seu favor. E Jesus? Que Jesus? Jesus se quiser que fale na madrugada, a madrugada que poderá ser utilizada para superfaturar o horário e despejar legalmente os dízimos e ofertas na TV. Pode-se até inaugurar grandes empreendimentos da industria do entretenimento e convidar quem sabe...o Lula para inauguração! Jesus ninguém iria ver mesmo...

Pode-se ainda criar um partido político, lançar candidatos ao senado (quem sabe aquele meu sobrinho), e fazer um monte de deputados federais, estaduais e vereadores. Isso significa ganhar o mundo inteiro, mesmo perdendo a alma, dele e dos outros.

É triste, mas alguém duvida que isso possa acontecer? Espero não estar profetizando.

Atenção: Isso foi escrito num momento de minha inspiração e meditação, qualquer semelhança com a vida real é pura coincidência.

Moisés Almeida

Terça-feira

Eventos evangélicos que dão apoplexia

Texto de: Ricardo Gondim

Menino prodígio pregando, fantasiado de pastor.

(Tenho vontade de esganar os pais, os líderes que deixam esse tipo de excrescência e a multidão imbecilizada que ainda consegue dar glória a Deus).


Marcha para Jesus em São Paulo.

(Sei que esse “carnaval-gospel-fora-de-hora” acontece em outras cidades, mas nenhum consegue ser tão ruim).


Pastor entrevistando demônio.

(Além de considerar desprezível o que um demônio tenha para dizer, acho esse tipo de coisa uma violência contra a dignidade humana).


Evangelista empetecado prometendo prosperidade.

(Tais mercadejadores da esperança povoarão a esfera mais baixa do mundo subterrâneo de Dante).


Profecia em programa de rádio.

(O pastor chuta afirmando que algum motorista está triste e que Deus mandou aquele recado; pateticamente acerta todas).


Conferência missionária que atrela a miséria da Africa à idolatria.

(As veias do meu pescoço incham quando ouço alguém dizer que os Estados Unidos ficaram ricos porque são “uma nação cristã”).


Testemunho de cura divina em cruzada evangelística

(Que tristeza ouvir velhinha contar que foi curada de caroço, dor nas pernas e da coluna! Os que têm o dom de cura devem dar plantão na Ala dos Indigentes do Hospital do Câncer ou em ClInica de Hemodiálise).


Sermão entrecortado com língua estranha

(Será que as platéias não percebem o exibicionismo?).


Político se convertendo em ano eleitoral

(Que mico; nojo se mistura com vergonha!)

(Tem muito mais... Aceito sugestões)

Sábado

Repensando a fé


Texto de :Ricardo Gondim
em: www.ricardogondim.com.br
´
Certas coisas perderam ímpeto dentro de mim. Certas afirmações se esvaziam antes que alcancem o meu coração. Certas concepções já não fazem sentido quando organizo o meu dia.

Minha fé deixou de ser uma força dirigida a Deu que o induz a agir. Entendo fé como coragem de enfrentar a existência com os valores do Evangelho. Fé significa uma aposta; a verdade vivida e revelada por Jesus de Nazaré tornou-se suficiente para que eu encare as contingências do mundo sem me desumanizar. Fé não movimenta o Divino, mas serve de pedra de apoio onde me impulsiono para a deslumbrante (e perigosa) aventura de viver.

Já não espero que uma relação com Deus me blinde de percalços. Não acredito, e nem quero, que Deus me revista com uma carcaça impenetrável. Acho um despautério prometer, em meio a tanto sofrimento, que uma vida obediente e pura gere segurança contra doenças, acidentes, violência.

Considero leviano afirmar que, quando as mulheres oram, Deus poupa seus filhos de se envolverem com drogas, promiscuidade e outros males. Por que Deus ficaria de mãos atadas ou indiferente diante das opções, muitas vezes atrapalhadas, de rapazes e moças? Quer dizer que, se os pais não vigiarem, Deus permite que os filhos se percam? Como Deus induz alguém a se arrepender; Ele arrasta pela força em resposta ao pedido dos pais? Será se a "salvação" dos filhos não depende tanto de uma intervenção divina, mas do exemplo dos pais?

Tanto no Antigo Testamento como no ministério terreno de Jesus, há relatos de que Deus se recusa a manipular ou coagir para trazer qualquer pessoa para si. Deus é amor e quem ama se torna vulnerável ao abandono. Um exemplo clássico vem do profeta Oséias que encarnou um repudio semelhante ao de Deus.

Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava mais eles se afastavam de mim (11.1).

No evangelho de Lucas, Jesus lamentou sobre a cidade de Jerusalém que, além de repetir o padrão de perseguir os profetas, o rejeitou:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! (13.34).

Não acredito que, para os que cumprem ritos religiosos, a existência se transforme em céu de brigadeiro. Não imagino que, ao obedecer corretamente os mandamentos, o mar da vida deixe de ser arriscado.

Orar de olhos fechados, debulhar terços em rezas, pedir ajoelhado, fazer campanhas, interceder ferozmente nas vigílias, clamar aos gritos, nenhuma dessas expressões religiosas significa devoção, se contempla vantagens que outros mortais, que não fizerem o mesmo, não alcançarão. Considero-as puro clientelismo, vãs repetições, murros em ponta de faca, mistura de ilusão com esperança.

Assemelham-se ao esforço da tartaruga que sonha com as altitudes, mas se vê obrigada a respirar o pó da estrada.

Acho indigno um cristão pedir que Deus lhe ajude a passar em concurso público. Aliás, considero um horror ético. Da mesma forma, em economias que produzem excluídos, não é lícito rogar que “o Senhor abra uma porta de emprego”. Não faz sentido conceber que o Todo Poderoso consiga recolocar mais pessoas no mercado de trabalho de países emergentes do que nos bolsões miseráveis do mundo, onde bilhões sobrevivem com menos de 1 dólar por dia.

Já me indispus com grandes segmentos do mundo evangélico, mas não consigo calar. Por todos os lados, ouço clichês como se fossem afirmações piedosas de fé. Infelizmente, tais jargões cumprem o papel ideológico de afastar as pessoas da realidade, empurrando-as para o delírio religioso. Religião, nesse caso, não passa de ópio.

Soli Deo Gloria.

Sexta-feira

UNIÃO ESTÁVEL E BATISMO NAS ÁGUAS

Texto do Pr. Altair Germano

Devido a atualidade do assunto, resolvi publicar novamente este post (Publicado originalmente em 15/06/2007), abrindo desta forma o espaço para uma maior discussão e reflexão sobre o problema.

1. Sendo o casamento não sujeito a um padrão bíblico, judicial e cultural universal, entende-se que Deus o concebe conforme o tempo, cultura, costume e padrões normativos da sociedade, desde que não infrinja os princípios estabelecidos pela palavra de Deus, dentre os quais a heterossexualidade e a fidelidade conjugal (Gn 1.27, 2.22-25; Ex 20.14, 17; 1Tm 3.2;).

2. Não há na Bíblia sagrada nada que fundamente a idéia de que para ser reconhecido por Deus, o casamento precise de uma certidão ou contrato, quer estabelecido pelos pais, pela religião ou pelo estado. A prova disto é que os casamentos que não foram realizados ou regidos por tais instrumentos, eram diante de Deus reconhecidos e válidos (Gn 1.27-28; 24.58-67; 29.21-30; 41.45; Ex 24.1; 1Sm 18.27; Rt 4.9-13; Mt 1.24-25, etc.) O contrato de casamento é mencionado apenas no livro apócrifo de Tobias 7.13, e mesmo assim com caráter descritivo e não prescritivo.

3. Os contratos de casamento, a princípio estabelecidos pela família em algumas sociedades antigas, sem a interferência do Estado, vindo a fazer parte do universo jurídico apenas num passado recente, eram motivados por questão de ordem material e não afetiva. Não era a legitimação do casamento a preocupação inicial, mas sim a partilha dos bens ao final deste.

4. Só a partir do século IX a igreja (católica), começou a chamar para si a competência para regular de forma exclusiva a toda matéria matrimonial, vindo no Concílio de Trento em 1553 dar ao casamento a condição de sacramento da Igreja. Até então, desde a Igreja Primitiva, não havia dificuldade no reconhecimento do casamento conforme os padrões sócio-culturais, desde que fundamentado nos padrões bíblicos, conforme já citado.

5. No Brasil, a Igreja no seu princípio seguiu as diretrizes da Constituição Republicana de 24 de Janeiro de 1891, no art. 72, parágrafo 2°., que reconhecia apenas o "casamento civil", e do Código Civil que vigorou a partir do 1° de Janeiro de 1917, cujas disposições só reconhecia como válido o casamento civil celebrado pela autoridade secular. Entendendo se dever cívico de submissão às autoridades constituídas (Rm 13) e da preservação dos bons costumes (padrão culturalmente instável), a Igreja Evangélica, sem maior reflexão bíblica, privou o batismo nas águas e consequentemente da santa ceia aqueles novos crentes congregados que se encontravam diante da "lei" irregulares e marginalizados em virtude de sua união conjugal não seguir as diretrizes legais de então, quanto ao casamento ou reconhecimento do status de família. Com os graves problemas que esta exigência jurídicas causou, uma vez que não eram reconhecida pelo Estado as uniões conjugais estáveis, acontecia que no momento da separação entre estes "casais", a mulher sempre sofria prejuízos na partilha (quando havia partilha) de bens e em outras questão básicas.

6. Diante deste quadro, partindo de mudanças no Direito Tributário, o Estado acabou por reconhecer através da Constituição de 1988 em seu art. 226 parágrafo 3°, a união estável entre homem e mulher como entidade familiar, caracterizada pela c onvivência pública, contínua e duradoura com o objetivo de constituir família. Tal artigo foi regulamentado pela Lei 9.278 de 10 de Maio de 1996 e pelo novo Código Civil de 10.01.2002 em seu art. 1723. O Estado com isso corrigiu um erro e uma injustiça, retomando o principio dos primórdios da sociedade onde "o fato do casamento era por si reconhecido e satisfatório. Tais mudanças nas leis do país, não quebraram nenhum principio bíblico referente a vida conjugal entre homem e mulher, ao contrário, consolidaram o referente princípio.

7. Não há Novo Testamento nenhuma exigência para o batismo nas águas relacionada a "contratos ou certidões de casamento", aliás, as únicas exigências são arrependimento, fé, consciência e vontade (Mc 16.16; At 2.38-41; 8. 36-37). A história e a Bíblia (Mt 15.3) nos revelam os riscos de se colocar a "tradição" acima da Palavra de Deus promovendo com isto a injustiça.

8. É no mínimo contraditório o fato de se negar o batismo nas águas para os crentes que participam ativamente da vida congregacional, contribuem com seus dízimos, dão ofertas, evangelizam, fazem parte dos órgãos de cântico, alguns são líderes, ensinam na escola dominical, e são batizados com o Espírito Santo. Só não podem assumir funções "oficiais" e participarem da Santa Ceia.

Mudar é incômodo, mas por vezes é necessário. Mudar com responsabilidade, avaliando as conseqüências das mudanças é essencial. O desejo por mudança, por bem intencionado que seja, acaba mexendo com padrões fortemente estabelecidos e arraigados em qualquer instituição. Não quero ser simplista, visto que a questão exige assim uma análise cautelosa.

O pensador e questionador corre o risco de ser mal interpretado e até "excomungado" (Jesus, Paulo, Lutero, Luther king e outros que o digam). Pensar diferente nem sempre é pensar errado. Pensar criticamente é necessário. Pensar biblicamente é sempre certo. O propósito desse texto é fazer pensar, refletir, gerar discussão, debate, pois só assim os erros podem ser corrigidos, as mudanças podem acontecer e a justiça pode ser promovida.Referências BibliográficasCódigo Civil e Constituição Federal. São Paulo: Saraiva, 2003.CAMPOS, Alzira Lobo de Arruda. Casamento e família em São Paulo colonial. São Paulo: Paz e Terra, 2003.ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. São Paulo: Centauro, 2002.MAGALHÃES, Rui Ribeiro de. Direito de família no novo código civil brasileiro. 2. ed. São Paulo. Editora Juarez de Oliveira, 2003.THERBORN, Göran. Sexo e poder: a família no mundo 1900-2000. São Paulo: Contexto, 2006.



Fonte:http://www.altairgermano.com/2007/06/unio-estvel-e-batismo-nas-guas.html

Sábado

A PROPOSTA DE JESUS: A FALÊNCIA COMO ALÍVIO!

Texto de Caio Fábio:

"Vinde a mim todos os cansados e os sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, disse Jesus.

Ora, a salvação do cansado é Vir, não Ficar.

A salvação do cansado é tomar algo, é atender um convite para sair de onde está e encontrar alívio para alma.Mas como posso ir a algum lugar se eu mesmo não tenho forças para me ajudar?Interessante isso. Para nós, a salvação do cansado é ficar e descansar. Jesus, no entanto, diz que o cansado tem que VIR.Mas como o cansado andará se está cansado? Não seria muito mais digno de Deus dizer: “Todos vós cansados, ficai onde estais, e eu vos visitarei.”?

A questão é que Este que oferece o descanso está ao lado, e Seu convite não é um grito distante, mas uma súplica interior: “Vinde a mim... e achareis descanso.

Tomai o jugo, e tereis alívio”.Assim, o movimento, o Vir, não para fora, mas para dentro!Todavia, por mais perto que Ele esteja, aquele que precisa da ajuda precisa Vir; tem de se movimentar; necessita escolher e acolher o refúgio. Afinal, quem descansa no refúgio que não quer estar?Refúgio forçado é prisão!“Vinde a mim” é um convite pessoal e propõe um encontro pessoal. “Vinde a mim” equivale a “permaneça em mim, e você terá descanso”.

Todavia, nem por causa disso eu devo ficar onde estou. Eu preciso sair de onde estou em mim a fim de encontrá-lO como alívio para mim, ainda em mim.“Permanecer nEle” é “Vir a Ele”. Portanto, é um permanecer em movimento, andando com Ele, deixando-se levar aos pastos verdejantes e às águas tranqüilas que não existem em nenhum éden terreno, mas tão-somente em paragens interiores.“Vinde a mim todos...”, diz Jesus.

Que coisa mais linda é ouvi-lO dizer que Seu atendimento é pessoal, visto que só é para todos porque é para cada um.Ele não pergunta pelo tipo de peso ou de carga que nos oprime; apenas aceita que pode ser qualquer coisa, e que Ele mesmo tratará com total pessoalidade qualquer que seja o jugo de agonias que possam estar afligindo a todos — portanto, a cada um individualmente.

Jesus, assim, não classifica angústias, e nem diz que certas agonias são virtuosas e, portanto, passíveis de ajuda, enquanto outras não são.Jesus não age assim. Assim age a religião!Não! Não é para um concurso de agonias que Ele nos convida, nem é para um vestibular de angústias, para, então, no fim, alguns serem selecionados para receber o alívio e a ajuda.

Pois assim como Ele convida a todos, Ele também convida o tudo de todos, sem discriminação.O critério que seleciona as agonias passíveis de socorro não obedece a nenhum juízo moral, ético ou religioso. Quem pré-seleciona o candidato à ajuda é a Necessidade que faz com que o necessitado perca o senso de autocrítica e de auto-ajuda e simplesmente diga: “Eu não posso mais!”

Assim, o convite é para quem não pode mais; é para quem se cansou tanto que já desistiu, e só não desistiu totalmente porque não sabe como morrer.Somente os que não sabem como morrer é que podem atender a tal convite, que num certo sentido só se consuma se eu digo: Morri, mesmo que ainda eu ainda exista!O convite é para quem não sabe nem como morrer. Sim, o convite é, sobretudo, para estes.“Vinde a mim todos vós”, diz Jesus. E, assim dizendo, Ele espera que “vós”, nós, eu, cada um, por si mesmo, decida aceitar a ajuda e Venha a Ele. Estranho e fascinante. Eu não agüento mais, mas preciso “Vir a Ele”, o que significa fazer o movimento da rendição, da entrega total de toda autoconfiança.

O convite só se efetiva na completa certeza de que em mim mesmo não resta esperança.O alívio só chega para quem já aprendeu que por si mesmo não chega a nenhum alívio por suas próprias pernas.O alívio é apenas para os perdidos na impotência!Maravilhoso e paradoxal!Ele me diz: “Vem”. Mas eu não consigo dar nem mais um passo...Assim, é na impossibilidade de me mover que eu me movo para onde está o refúgio. Eu tenho apenas que dizer que não posso mais, e, no mesmo Instante, paradoxalmente, me movo para Ele, sem ter que sair de lugar nenhum, visto que o lugar sai de mim, pois a opressão é em mim, e o alívio está em mim, mas somente quando, em mim mesmo, Venho a Ele.

Quando eu desisto, vou a Ele. Então, descubro que o lugar do alívio não é um lugar, nem mesmo pode ser comparado ou medido como a distância de uma estrada a ser percorrida até chegar a Ele, onde está o descanso. Não! É justamente por não poder ir que chego, e é por não agüentar mais que recebo o poder que me faz agüentar tudo.“Tomai sobre vós o meu jugo, pois Sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”, explica Jesus.Ele implora que eu aceite a ajuda dEle. Sim, Ele se mostra manso e humilde, e garante que o peso dEle é leve. Peso leve. Jugo suave.

Tudo isso vem da mansidão e da humildade dEle.Aquele que me oferece ajuda é forte em Sua mansidão e humildade em Seu coração. Que coisa linda!Assim, aprendo que meu sacrifício quanto a receber o alívio é reconhecer que “não agüento mais”, e é “tomar um peso leve e um jugo suave”, que nada mais é do que aceitar a mansidão e a humildade de Deus como meu lugar de refúgio.Sim, onde mais posso descansar senão na humildade de Deus?Somente um Deus manso e humilde pode aceitar tudo em todos, e ajudar todos em tudo! No entanto, eu tenho que “Vir”, fazendo o movimento na Permanência Nele, e que só acontece como impossibilidade de ir a qualquer outro “lugar” que não seja Ele.

Mas quem agüenta se entregar a um Deus tão manso e humilde? Quem aceita que o socorro implique em falência e desistência? Quem deseja para si trocar seu próprio jugo pelo de Outro, por mais que Este que me convide diga que seu peso não pesa?Para receber o alívio do Deus manso e humilde requer-se do homem um ato de movimento e a coragem da troca. E pior: demanda desse carente que se declare mais que necessitado. Sim, dele se demanda que declare falência e que se movimente na declaração da impotência, e que seja humilde a fim de aceitar a falência como salvação.Assim, a fim de me ajudar Jesus diz: “Venha”.

E, assim fazendo, Ele me diz que a salvação é Ele, e que o caminho para ela reside na desistência de qualquer outra salvação que não seja um ato de reconhecimento da minha própria impotência e perdição.Em Jesus somente os falidos são aliviados.

Quem não chegou a esse ponto —onde já não se tem para onde ir— jamais saberá o significado de receber o alívio, visto que ainda é estivador de sua própria potência, e é ainda vítima de seu estado de não-falência assumida.Bem-aventurados os sem forças para se mover, pois eles se moverão sem ter que ir a algum lugar, visto que o Lugar-Presença a eles vem.

Aliás, implora para ser apenas reconhecido.

Caio


http://www.caiofabiocom.br/

OBAMA É O ANTICRISTO?

Muitas pessoas me perguntaram se o Barack Obama seria o anticristo. Minha resposta, obviamente foi que não. Obama não é o anticristo.

A idéia originalmente foi de um vídeo da campanha de John McCain em 1º de Agosto desse ano, no qual se insinua que Obama seria o anticristo.




Mas a figura de Obama é interessante para ilustrar esse ente maléfico que, segundo a predição bíblica aportará no cenário mundial.



Num mundo com flagrantes fragilizações morais, econômicas e religiosas, não se imaginava que surgisse alguém que somasse tão grande unanimidade ou pelo menos simpatia como Obama.

Isto mostra como o anticristo pode surgir no cenário mundial.

Barack Obama, um ilustre senador desconhecido do resto do mundo até seis meses atrás, se torna o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, vindo de uma família pobre africana e de ascendência muçulmana, com a missão de reestruturar a economia americana e dar novo rumo aos destinos do mundo.



De igual forma, para a aparição do anticristo, o mundo perdido, desesperançado, mergulhado em sucessivas crises, verá aparecer um salvador, que corresponderá de imediato aos anseios da população, e depois se mostrará o anti-Deus.



Cada vez que a história da humanidade evolui (ou involui) percebo quão fácil é a materialização das profecias bíblicas. Pois quando se fala do anticristo como alguém que aglutinará em si as esperanças da humanidade que o consagrará; não imaginava ninguém, no cenário político, econômico ou religioso, que pudesse cumprir esse papel. Mais uma vez a história demonstra que isso é possível, com a eleição de Obama.

Obama é um Hitler ao contrário!



E esse é o grande perigo da eleição de Obama: a grande expectativa dos resultados de seu governo, que se não for conforme esperado, pode ter consequencias muito perigosas.



Definitivamente, Obama não é o anticristo. Mas sua ascenção meteórica ao posto do homem mais poderoso do planeta, demonstra facilidade do cumpriemento desse profecia.



(De alguma forma não sei se o que elegeu Obama foi sua simpatia ou a antipatia do Bush!)



Mas Deus está falando! Sempre fala! Nós é que estamos surdos!



O fim de todas coisas vem! E está perto!





Moisés Almeida

Domingo

O que eu posso fazer na cama?

TEXTO DE CAIO FÁBIO em: http://www.caiofabio.com.br/
-----Original Message-----

From: O que eu posso fazer na cama?


Sent: terça-feira, 21 de outubro de 2003 14:14


To: contato@caiofabio.com


Subject: Sexo oral



Mensagem:

Amado Caio Fábio, Quero, antes de tudo, ressaltar o carinho imenso que tenho por você, bem como a confiança que sinto em suas posições acerca dos mais diversos assuntos tratados neste site.

Desde que me converti (há cerca de sete anos), venho admirando teu trabalho, teus livros, teus vídeos e agora este site. Enfim, todo o trabalho que Deus colocou em tuas mãos e que tem sido realizado com grande eficácia. Caio, estou com uma dúvida imensa, e esta, por sua vez, está me tirando a paz. Tenho 28 anos, sou casado há 5, e até hoje não tive uma instrução satisfatória acerca de algumas ações dentro da vida sexual de cristãos.

Confesso que estou imensamente constrangido em lhe perguntar isso. Espero que não seja mal interpretado em minha dúvida. Meu pastor ensinou-nos que praticar sexo oral é errado.

Já sua mulher, em ensino às irmãs da Igreja, disse que o sexo oral poderia ser utilizado apenas para se criar um clima maior de excitação. Por fim, eu tenho esta dúvida, visto que algumas vezes minha esposa e eu praticamos esse ato.

Sinto-me culpado pela instrução do pastor e confuso pela instrução de sua mulher. Gostaria de saber se estou em pecado cometendo este tipo de ato. Tanto eu, como minha esposa, no momento do ato conjugal, sentimos, algumas vezes, desejo de praticar; achamos muito gostoso. Há alguma coisa que o recrimine? Não quero de maneira alguma pecar contra Deus.

E não quero também, deixar de satisfazer os desejos de minha esposa nem deixar nossa vida sexual "cair em rotina" (ainda mais nesta área, que é tão delicada). Eu peço que me ajude!
Confesso que minha cabeça está como um "caldeirão fervendo" acerca deste assunto.

Se realmente é pecado, sei que Deus irá nos libertar disso. Com o que tenho visto, aqui no site, o irmão tem bastante experiência, tanto pela vivência, quanto pela instrução bíblica.

Me ajude, por favor.


_____________________________________________________________
Resposta:

Meu querido amigo:

Paz, Alegria e Prazer sem Culpa na Graça de Deus!

A esposa de seu pastor está falando a verdade.

Mulheres costumam ser mais verdadeiras quando o assunto é Realidade e Religião.

Pastores, muitas vezes, sentem-se na obrigação de falar por aqueles que determinam o que ele deve pensar.Daí, na intimidade e no particular, a esposa dele ter dado outro conselho.

Meu querido, esse assunto foi resolvido por um solteirão chamado Paulo, o apóstolo. Ele disse que o corpo do marido pertence à mulher dele; e que o corpo da mulher pertence ao homem dela.Quando um homem encontra sua mulher e a mulher o seu homem, tudo acontece na maior normalidade.

O anormal é ver casais que não se amam, não se desejam e não se gostam, transando para “cumprir as Escrituras”, e, depois, levantarem-se do leito cheios de culpa, medo e neurose.A Bíblia não conhece pudores dentro de um quarto onde dois amantes de verdade se encontram.Pecado é a objetização do sexo. É praticá-lo sem amor e sem desejo. É realizá-lo como mecânica orgânica apenas.

Aí está o erro; ou melhor: o pecado do desperdício!

Se seu problema é não pecar contra Deus, ouça o que Ele diz. Mas se sua questão é agradar o seu pastor; então, seja solidário a ele e não faça nada daquilo que a mulher dele deseja experimentar.

Mas Deus diz outra coisa, bem diferente. Aliás, Deus deu liberdade.

Ele é quem fez todas as coisas. Por isso, bebe a água da tua própria “cisterna”, e das correntes do teu “poço”.

Derramar-se-iam as “tuas fontes para fora”, e pelas “ruas” os “ribeiros de águas?”

Seja tua mulher só para ti mesmo, e não para os “estranhos” juntamente contigo.

Seja bendito o “teu manancial”; e regozija-te na tua mulher.

Ela deve ser vista como uma cabrita amorosa, e graciosa como uma égua no campo.

Saciem-te os seus “seios” em todo o tempo; e pelo seu “amor” mergulha no encanto para sempre.
E por que andarias atraído pela mulher fácil, e abraçarias o peito de uma outra, até casada?

Os lábios da mulher fácil destilam mel, e a sua boca e mais macia do que o azeite.

Ensina a tua mulher a ser assim também: molhada e doce.

Ora, isso vai, juntamente com a Palavra, te guardar da mulher que só quer uma aventura, e te salvará das cantadas da língua da mulher sedutora.

Cobices no teu coração a formosura de tua própria mulher.

Ensina-a a seduzir-te. Isso te livrará de ser preso como um bobo pelos “olhares” da mulher que olha para todos.Pode alguém tomar fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem?

Assim, incendeiem os teus beijos a tua mulher, de tal modo que lhe queimem as vestes!

Não é desprezado o ladrão, mesmo quando furta para saciar a fome? Assim, se por causa de tua “necessidade” tu te deres mal, ainda assim serás maltratado pelos demais homens!

Por que correrias este risco?
Por que transferirias todos os prazeres para fora de tua casa?
Por que teus sonhos e fantasias de alma não se realizariam com tua mulher, livremente, dentro de teu quarto?

Por que “construirias” tu uma “mulher virtual”, se tens uma que é mais que real?

O que não possui a sua própria mulher com o “fogo” de quem possui uma “adultera” é burro; destrói-se a si mesmo se assim não a “trata”.

Se assim não for, pode ser que ela venha a desejar uma “outra imagem”, e tu também acabarás por cobiçar o que não é teu. Come o que é teu e bebe de tua própria cisterna. Sacia-te dos frutos de tua árvore encantada.

A mulher aprazível obtém honra—diz o provérbio. Desse modo seja a tua honra, também, mostrar à tua própria mulher o quão desejosa e aprazível ela é.A discrição de tua mulher tem que ser para “fora”.

Mas para ti, que ela seja a mais sedutora de todas as mulheres.A mulher virtuosa é a coroa do seu marido; porém a que procede vergonhosamente é como apodrecimento nos seus ossos. Assim, ensina a tua mulher a “coroar a tua cabeça” com toda honra.

Do contrário, tu terás tristezas.E tem marido que não sabe por que a mulher se torna mulher de rixas, uma goteira contínua enchendo a paciência! Ora, elas nunca foram saciadas!

Tal é o caminho da mulher adúltera: ela come, e limpa a sua boca, e diz: “Não pratiquei iniqüidade”. Pois assim deveria ser a liberdade e a consciência de toda mulher para com seu próprio marido.

Por que não usar o direito em favor do direito? Se aquilo que é torto é prazeroso, por que aquilo que é bom tem que ser culposo? Portanto, que tua mulher seja livre como aquela que come, limpa a boca, e diz: “Não pratiquei iniqüidade!”Que tu não percas mais tempo.

A Bíblia não nos ensina a perder tempo uma vez que o amor tenha sido acordado. Ao contrário. O homem apaixonado da Bíblia diz assim:

Como és formosa, amada minha, eis que és formosa!

Os teus olhos me seduzem; o teu cabelo é ondulante.

Os teus dentes são perfeitos e limpos. Os teus lábios são vermelhos, formosos e gostosos; e a tua boca é linda; as tuas faces são coradas e cheias de vida.

O teu pescoço fica lindo com os cordões e adereços que tu usas para me encantar.Os teus seios são gêmeos em beleza e são cheirosos como um mergulho entre os lírios.

Aproveitarei as sombras da noite e te escalarei, pois tu és para mim como uma montanha de perfume.

Enlevaste-me o coração, minha amante; enlevaste- me o coração com um dos teus olhares, com um dos colares do teu pescoço tu me seduziste.

Quão doce é o teu amor, minha mulher! quanto melhor é o teu amor do que o vinho! e o aroma dos “teus cheiros” é melhor do que o de toda sorte de cheiros comprados!Os teus lábios destilam o mel; mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro da terra mais acolhedora.Tu és somente minha, ó mulher!

Jardim fechado és tu; sim, jardim fechado, fonte selada—pois só eu bebo de ti e em ti bebo tudo o que gosto.Te provo como quem sente todos os sabores e sente todos os cheiros.

Tu és o Éden!És fonte do jardim, poço de águas vivas, correntes de águas de delícias!Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu “jardim”, espalha os seus aromas sobre mim.

E que assim diga a ti a tua própria mulher: Entra, ó meu amado no teu próprio jardim, e come dos meus frutos excelentes, que são todos para ti!

Assim será se ela também puder dizer:
Conjuro-vos, ó minhas amigas, se encontrardes o meu amado, que lhe digais que estou “enferma de amor”.

“Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, para que assim nos conjures?”—são as perguntas comuns de mulheres que conheceram machos, mas não conheceram homens; que conheceram sexo, mas não conheceram o amor; que conheceram algum prazer, mas que nunca foram arrebatadas.Se assim for, que ela, a tua mulher, saiba responder:

O meu amado é cândido e belo, o primeiro entre dez mil.A sua cabeça é preciosa, os seus cabelos são gostosos, são como penas de uma ave livre. Os seus olhos são cintilantes, lavados em leite, são como jóias postas em engaste na sua face. O rosto dele cheira como um canteiro das mais doces fragrâncias; e os seus lábios são como lírios que gotejam perfume. Os seus braços são firmes; e o seu corpo é lindo de apreciar; assim eu gosto de vê-lo nu. As suas pernas são fortes, parecem árvores cheias de vigor. O seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável.Assim é o meu amado, o meu amigo! Sim! assim é ele, minha amigas! Acerca dessa mulher, fêmea e amiga, o marido pode dizer:

Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e virgens sem número pela terra. Mas uma só é a minha cabritinha, a minha mulher de confiança; ela não tem igual nem entre as filhas de sua própria mãe; ela é especial.

Minha mulher é meu harém!Portanto, aprecie a sua mulher de cima a baixo, e não deixa nem um pedacinho de fora do teu gosto, apetite e paladar!

Você pode e deve prová-la toda. Dos pés à cabeça. Sem reservas e sem restrições.As palavra da Bíblia podem ser todas suas na alegria de possuir a sua mulher:

Quão formosos são os teus pés nas sandálias.

Os contornos das tuas coxas são como jóias, obra das mãos de artista.

O teu “umbigo” (no texto original: órgão genital) é como uma taça redonda, à qual não falta bebida; a tua barriguinha é como uma mesa onde como o meu pão perfumado. Os teus seios são perfeitos.

O teu pescoço me encanta; os teus olhos como são limpos como piscinas; o teu nariz é lindo de ver. A tua cabeça sobre ti é como um monte altivo, e os cabelos da tua cabeça são charmosos; até um rei ficaria “preso” pelas tuas tranças.Quão formosa, e quão aprazível és, ó amor em delícias!Essa tua estatura é semelhante à palmeira, e os teus seios são para mim como cachos cheios de uvas doces.

Disse eu: Subirei à palmeira, pegarei em seus cachos! Pois os teus seios são como os cachos da vide, e o cheiro do teu fôlego como o das maçãs, e os teus beijos como o bom vinho, que se bebe suavemente, e se escoa pelos lábios e dentes

E nunca poupe sua mulher de coisas novas. Ouça quando ela diz: Vem, ó amado meu, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias pequenas e sem ninguém. Levantemo-nos de manhã para ir às vinhas, vejamos se florescem as vides, se estão abertas as suas flores, e se as figueiras e sapotizeiras já estão em flor; ali te darei o meu amor...Desse modo, meu amado, esqueça a cabecinha de seu pastor.

A mulher dele parece ter muito mais o que ensinar. Pelo menos seria isso que ela gostaria, e do que, possivelmente, está sendo privada.Não proceda do mesmo modo. Fique livre, e faça sua mulher explodir de alegria.A idade da culpa acaba quando se conhece a estação do amor que não teme ser também desejo!Assim, não sou eu quem vai dizer o que você deve ou não deve fazer na cama.

Posso apenas dizer a você o que você pode estar perdendo!

Um beijão pra você!

Nele, que nos fez assim... como nos fez!

Caio.

Quinta-feira

Pecadores sem maldição


Texto de: Ricardo Gondim


Desde a adolescência, organizei minha vida com valores religiosos. Freqüentei e lecionei em escolas dominicais. Militei em grupos de jovens cristãos. Estudei em um instituto bíblico. Conheci bem os bastidores do mundo religioso, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Sincero e zeloso, sempre procurei cumprir as exigências de todas as instituições que participei. Se a igreja não permitia as mulheres cortarem o cabelo, briguei com a minha por aparar as franjas; se era pecado ir ao cinema, eu, que não aceitava essa proibição absurda, para evitar mau testemunho, viajava para longe se queria ver algum filme.


Relevei disparates, incoerências e hipocrisias eclesiásticas, porque considerava a causa de Cristo mais importante que as pessoas. Para não “escandalizar”, fazia vista grossa para comportamentos incompatíveis com a mensagem cristã. Abraçado às instituições, acabei conivente de mercenários, alguns intencionalmente cobiçosos. Justifiquei tolices argumentando que as pessoas eram minimamente sinceras. Nem sei como me iludi a ponto de dizer: “fulano faz bobagem, muita bobagem, mas é sincero”.


Cheguei a um tempo de vida, que algumas reivindicações da religião perderam o apelo. Com tantas decepções, deixei de acreditar na pretensa santidade dos religiosos. Considero piegas as pregações de que Deus exige uma santidade perfeita. Lembro imediatamente dos malabarismos que testemunhei que tentavam falsear tantas inadequações, dos jogos de esconde-esconde para não expor demagogias.


Jesus não conviveu com gente muito certinha. Ao contrário, ele os evitava e criticava. Chamou os austeros sacerdotes de sepulcros caiados, de cegos que guiam outros cegos, de hipócritas e, o mais grave, de condenarem os prosélitos a um duplo inferno. Cristo gostava da companhia dos pecadores, que lhe pareciam mais humanos.


Jesus alistou pessoas bem difíceis para serem apóstolos; Pedro era tempestivo; Tomé, hesitante; João, vingativo; Filipe, lento em compreender; Judas, ladrão. Acostumado com os freqüentadores de sinagoga e com os doutores da Lei, por que ele não buscou seguidores nesses círculos? Talvez, não entendesse santidade e perfeição como muitos.


Jesus aceitou que uma mulher de reputação duvidosa lhe derramasse perfume; elogiou a fé de um centurião romano, adorador de ídolos; não permitiu que apedrejassem uma adúltera para perdoá-la; mostrou-se surpreso com a determinação de uma Cananéia; prometeu o paraíso para um ladrão nos estertores da morte. Sabedor das exigências da lei, por que Jesus não mediu esforços ou palavras para enaltecer gente assim? Talvez, não entendesse santidade e perfeição como muitos.


Para Jesus, santidade não significava uma simples obediência de normas. Para ele, os atos não valem o mesmo que as intenções. Adultério não se restringe a sexo, mas tem a ver com valores que podem ou não gerar uma traição. O ódio que explode com ânsias de matar é mais grave do que o próprio homicídio.


Para ele, portanto, pecado e santidade fazem parte das dimensões mais profundas do ser humano. Lá, naquele nascedouro, de onde brotam os primeiros filetes do que se transformará em um rio, forma-se o caráter. E santidade depende da estrutura do ser, com índole que gera as decisões.


Para Jesus, santidade se confunde com integridade; que deve ser compreendida como inteireza. As sombras, as faltas, as inadequações, os defeitos, bem como as luzes, as bondades, as grandezas, as virtudes, de cada um precisam ser encaradas sem medos, sem panacéias, sem eufemismos. Deus não requer vidas perfeitinhas, pois ele sabe que a estrutura humana é pó; não exige correção absoluta, pois para isso, teria que nos converter em anjos.


As prostitutas, que souberem lidar com faltas e defeitos com inteireza, precederão os sacerdotes bem compostos, mas que vivem de varrer as faltas para debaixo dos tapetes eclesiásticos. O samaritano, que traduziu humanidade em um gesto de solidariedade, é herói de uma parábola que descreve como herdar o céu. O tempestivo Pedro, que transpirava sinceridade, recebeu as chaves do Reino de Deus. A mulher, que fora possessa de sete demônios, anuncia a alvissareira notícia da ressurreição.


Os mandamentos e a lei só serviram para mostrar que para produzir humanidade não servem os legalismos. Integridade e santidade nascem do exercício constante de confrontar suas luzes e sombras trazendo-as diante de Deus e mesmo assim saber-se amado por Ele.


Soli Deo Gloria.

Terça-feira

VOCÊ É FELIZ DE VERDADE?

Já vi muitos crentes afirmarem serem felizes, mesmo quando seus sentimentos são absolutamente contrários a esta afirmação.

Então comecei a perguntar se elas realmente eram felizes, e sempre me respondiam que sim, pois tinham Jesus no coração.

Na maioria das vezes, constatei, que essa afirmação era mais um jargão aprendido nos porões das denominações, uma afirmação de papagaio, ou uma forma de se vangloriar diante dos ‘pecadores’ dizendo que a ‘felicidade suprema’ só se encontra em Jesus e se quisessem ser como eles que se convertessem e ‘aceitassem Jesus’. Eram como uma tubulação, por onde a água da vida passava, como uma informação para o outro, mas nada ficava, funcionavam como um canal e não como um reservatório, um vaso!

Na verdade nem sempre a afirmação dos lábios é afirmação do coração.

Muitas vezes é a afirmação da vontade, do desejo de ser conforme a boca confessa, mesmo que não o seja de fato.

Outras vezes é o mascaramento de uma infelicidade que se camaleoa com as cores da ocasião, para não mostrar o que realmente se sente.

Você é feliz de verdade?

É fácil saber se a felicidade professada pela boca condiz com a fé do coração:

Se retiradas todas as circunstancialidades do teu atual estado de felicidade, você ainda seria feliz?

Se retirarem tuas muletas dos cargos eclesiásticos, e a forma cerimonial com que se referem a você ainda seria feliz?

Se experimentasses a escassez, a privação, a necessidade, você ainda seria feliz?

A felicidade provinda de Jesus não pode ser ancorada pela subjetividade das coisas que nos cercam, e nos deixam muitas vezes na zona de conforto, sonâmbulos e/ou alienados.

A verdadeira felicidade brota do coração, mesmo quando não há qualquer evidência exterior para tal.

A verdadeira felicidade não é encontrada nos jargões aprendidos nos cultos evangélicos, como se fossem mantras que seriam capazes de pela simples afirmação ‘fazerem a coisa acontecer’, como palavras mágicas.

Jesus disse que quem nele cresse, rios de águas vivas correriam de seu interior!

A afirmação da boca como confissão, se não provocada pela erupção da verdade no coração, é apenas vento, nada e palha. Mas quando cheia de verdade do ser, satisfaz a alma e convence quem do outro lado vê ou ouve tal afirmação!

Da próxima vez que te perguntares se és de fato feliz, consulte o teu coração, e se não te sentires conforme a resposta que queres dar, volta teu coração para o Senhor teu Deus e pede que te encha da plenitude da felicidade, que do teu interior corram perenes, as águas vivas de Deus!

Moisés Almeida


Domingo

SERMÃO: A ORAÇÃO

Sintam-se à vontade para pregar!
Tema: A Oração
Texto: MT. 6: 9-13
Introdução: Orar é falar com Deus, fomos feitos reis e sacerdotes, temos liberdade para nos dirigir ao Pai em nome de Jesus, pelo caminho que Cristo nos abriu no calvário.

TÓPICOS RELEVANTES

a) Orar é conversar com o Deus Eterno.
Salmos 4:3 “Sabei que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor me ouve quando eu clamo a ele.”


b) Orar é um grande privilégio.
Hebreus 4:16 “Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno.”


c) Ao contrário de muitos homens, Deus é acessível!
Salmos 65:2 “Ó tu que ouves a oração! a ti virá toda a carne.”


d) Deus Responde as Orações.
Mateus 7:11 “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?”


e) Deve-se pedir
Mateus 7:7-8 “Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.”


f) Pedir com Sabedoria
Tiago 1:5-8 “5Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando; pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, que é sublevada e agitada pelo vento. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa, homem vacilante que é, e inconstante em todos os seus caminhos.”


g) Deus pode não 'ouvir' a oração.
Salmos 66:18-19 “Se eu tivesse guardado iniqüidade no meu coração, o Senhor não me teria ouvido; mas, na verdade, Deus me ouviu; tem atendido à voz da minha oração.”


h) Deus pode se recusar a atender uma oração.
Provérbios 28:9 “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.”


i) Orar em Nome de Jesus
João 14:13-14 “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei.”


j) Devemos ser agradecidos.
Filipenses 4:6 “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças.”


l) Orar Sempre
Efésios 6:18 “Com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos.”
1 Tessalonicenses 5:17 “Orai sem cessar.”


m) Deus pode responder antes de orarmos.
Isaías 65:24 “E acontecerá que, antes de clamarem eles, eu responderei; e estando eles ainda falando, eu os ouvirei.”


n) Deus pode responder Negativamente
2 Coríntios 12:8-9 “Acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim; e ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.”


o) Deus pode testar nossa perseverança
Salmos 37:7 “Descansa no Senhor, e espera nele.”


p) Deus faz mais do que imaginamos
Efésios 3:20 “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera.”


q) Deus supre nossas necessidades
Filipenses 4:19 “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus.”


r) O espírito Santo nos ajuda a orar.
Romanos 8:26-27 “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos.”


s) Temos que orar crendo.
Marcos 11:24 “Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis.”


t) Se pedirmos algo segundo sua vontade Ele responde.
1 João 5:14-15 “E esta é a confiança que temos nele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. e, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que já alcançamos as coisas que lhe temos pedido.”


u) Jesus ensinou a Orar.
Mateus 6:9-13 “Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]”


v) Oração não é Mágica ou reza. Ela brota do Coração.
Mateus 6:7-8 “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.”

x) Concepções erradas sobre oração:
- Oração não é castigo – Muitos pais ameaçam seus filhos dizendo que vão pô-los para orar, as crianças vão crescer e se tornarão jovens que não gostam de oração, pois associaram oração com castigo.


- Oração não é qualquer coisa – Muitos banalizam a oração com frases do tipo: “ irmão, não posso fazer nada pelo senhor, a única coisa que posso fazer é orar”! Ora, se pudermos ‘apenas’ orar, isso já é tudo!


- Oração não é esforço mental – Muitos acham que orar é uma força de concentração mental, de modo que acham que os ouvidos de Deus se inclinam ante a nossas vibrações mentais. Oração é uma conversa não uma telepatia. Oração é relacionamento. É falar como quem fala com um amigo íntimo.
Conclusão: A oração aproxima o homem de Deus, todo relacionamento tem que ter diálogo. Pela sua Palavra Deus fala conosco, pela oração nós falamos com Ele!
Moisés Almeida

Sábado

EVANGÉLICO OU CRISTÃO?

Ser Evangélico é andar com a Bíblia debaixo do braço.
Ser Cristão é andar com a palavra no coração.

Ser Evangélico é fazer de conta que é alguma coisa.
Ser Cristão é saber não ser nada senão um pecador remido e constantemente carente da graça.

Ser Evangélico é acreditar que vai ganhar tudo, vencer tudo, arrebentar tudo.
Ser Cristão é saber que no mundo teremos tribulações e aflições, mas Cristo venceu o mundo.

Ser Evangélico é sair aos domingos para pregar o evangelho enquanto desevangeliza com a própria vida no trabalho ou em casa.
Ser Cristão é testemunhar com a vida.

Ser Evangélico é participar de sessões de descarrego e ‘limpeza’ nas sextas-feiras (até parece outra coisa).
Ser Cristão é estar ‘descarregado’ sempre por ter encontrado de forma suficiente aquele que disse: “vinde a mim os que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei’.

Ser Evangélico é ainda ser supersticioso e deixar a Bíblia aberta no salmo 91, ou colocar frases de ‘proteção’ no carro.
Ser Cristão é saber que nossa vida pertence a Deus e Ele nos protege e guia.

Ser Evangélico é não comer carne de porco, galinha à cabidela, e canjica no período do São João porque é ‘pecado’.
Ser Cristão é comer de tudo que se vende no mercado, sabendo que tudo é santificado pela ação de graças.

Ser Evangélico é encher a cabeça de proibições e regulamentações que sugere alguma auto- santificação.
Ser Cristão é ter a mente de Cristo.

Ser Evangélico é defender Jesus de qualquer jeito mesmo que tenha que maltratar e maldizer o seu oponente.
Ser Cristão é ser testemunha de Cristo, não seu advogado.

Ser Evangélico é pagar rigorosamente em dia seus dízimos com medo do devorador.
Ser Cristão é ofertar com amor apenas como única razão, a sua própria liberalidade.

Ser Evangélico é condenar a adoração dos ídolos católicos, enquanto se rendem aos ídolos-pastores, ídolos-cantores e ídolo-dinheiro.
Ser Cristão é ter como única referência a pessoa de Cristo Jesus.

Ser Evangélico é ler uma quantidade enorme de livros da denominação, de modo que quando se vá ler a Bíblia ela diga exatamente o que leu nesses livros.
Ser Cristão é ler a Bíblia deixando a palavra penetrar no coração sem os ‘óculos’ da denominação ou religião.

Ser Evangélico é duvidar da salvação de todo mundo que não pertença a sua denominação.
Ser Cristão é crer que a salvação de Deus não tem fronteiras denominacionais e que Ele é livre para salvar!

Ser Evangélico é acreditar que só existe salvação depois da reforma protestante.
Ser Cristão é crer na providência da salvação de Deus em todas as eras, de modo que cada um responderá de acordo com a luz que recebeu.

Ser Evangélico é ler a Bíblia e interpretá-la literal e seletivamente adequando sua mensagem aos interesses da denominação.
Ser Cristão é ler a Bíblia considerando o contexto histórico e deixando a mensagem penetrar no coração sem tendências ideológico-religiosas.

Ser Evangélico é julgar as pessoas pelo que elas vestem e comem.
Ser Cristão é olhar além das aparências e enxergar os corações necessitados de amor no Senhor.

Ser evangélico é confessar os pecados apenas para receber da igreja a pena correspondente a sua infração.
Ser Cristão é confessar suas culpas uns aos outros apenas para alívio da consciência e responsabilidade perante a igreja, sabendo que Deus é quem perdoa os pecados e o preço já foi pago na cruz, não restando preço nenhum a pagar! (o erro é achar que a pena imposta pela igreja ‘perdoa’ ou ‘apaga’ o pecado, e muitas vezes essa ‘confissão’ não vem carregada de arrependimento)

Ser Evangélico é ser liberal para contribuir com a denominação, ao mesmo tempo em que tem a mão fechada para ajudar o próximo que esteja necessitado; é ter a capacidade de ver anjos voando dentro da igreja, mas não enxergar o irmão necessitado ao seu lado.
Ser Cristão é socorrer o pobre e o aflito em suas necessidades.

Ser Evangélico é gritar ‘glória’ e ‘aleluia’ dentro da igreja, ao mesmo tempo em que grita com sua mulher e filhos dentro de casa.
Ser Cristão é glorificar a Cristo como uma carta aberta que possa ser lida por todos.

Ser Evangélico é defender os demais evangélicos mesmo em situações indefensáveis.
Ser cristão é chamar cada coisa pelo nome e não isentar ninguém de suas responsabilidades.

Ser evangélico é brigar pelo cargo ou posição eclesiástica, mesmo que para isso tenha que ‘cortar’ algumas cabeças e passar por cima das pessoas.
Ser Cristão é entender que a melhor coisa do mundo inteiro é ter seu nome escrito no livro da vida.

Ser evangélico é dizer que quer ser batizado nas águas porque quer fazer parte do corpo de Cristo.
Ser Cristão é saber que faz parte do corpo de Cristo desde o momento que creu em Jesus de todo coração e o batismo nas águas é apenas a confissão pública de algo que já aconteceu (novo nascimento).

Ser evangélico é adiar o pecado para ‘depois da ceia’ a fim de não ‘cercar a mesa do Senhor indignamente’.
Ser Cristão é saber que todo culto é sagrado e que o maior pecado cometido em relação à ceia é o não discernimento do corpo do Senhor, ou seja, não entender o propósito da ordenação da ceia que é a celebração da morte vicária de Cristo na cruz.

Ser evangélico é dar um ‘amém’ uníssono quando alguém pede perdão na ceia ou num outro culto, e depois ficar ‘investigando’ o que o tal irmão deve ter feito.
Ser Cristão é saber que pedimos perdão uns aos outros por causa da consciência, mas sabemos que só Deus perdoa pecados, e não nos interessa a vida de ninguém.

Ser Evangélico é poder falar línguas dos homens e dos anjos, mas não conseguir falar a língua de Deus que é o amor.
Ser Cristão é amar como Cristo amou.

Ser Evangélico é se achar melhor que todo mundo porque ‘sabe da verdade’.
Ser Cristão é reconhecer que não é melhor que ninguém na face dessa terra, e que a diferença entre ele e os outros é a graça de Deus, sem a qual todos são ‘farinha do mesmo saco’!

Ser Evangélico é ‘aprender’ a pregar como um papagaio repetindo as mensagens que ouviu, mesmo que não entenda ou concorde com ela.
Ser Cristão é fazer a mensagem passar primeiro pelo coração, e falar daquilo que realmente se crê.

Ser Evangélico é dar testemunho da transformação que Jesus fez em sua vida, embora, exceto pelo seu testemunho verbal, não se veja nenhuma mudança em sua vida, e ele mesmo desconfie ser uma fraude, na ‘fábrica de testemunhos’.
Ser Cristão é testemunhar o que realmente aconteceu em sua vida e reconhecer que é um ser em transformação constante pelo poder e conhecimento da Palavra.

Ser Evangélico é achar que sua oração é ouvida de acordo com o poder de sua concentração mental.
Ser Cristão é saber que Deus me ouve até quando não se diz nada!

Ser evangélico é apresentar um candidato para a igreja a fim de eleger alguém para ‘defender o povo de Deus’.
Ser Cristão é saber de fato a Igreja (com I maiúsculo) pela qual Cristo morreu, não precisa de defensores, pois Deus é sua defesa e escudo!

Ser Evangélico é... Esqueça. É por essas e outras que não sou mais ‘Evangélico’! (não com esse sentido ao que o termo terminou significando), Estou sim, tentando e aprendendo ser apenas um Cristão!

Moisés Almeida

Sexta-feira

O Difícil-Fácil Caminho do Crer

Crer é a essência da relação com Deus. Sem fé é impossível agradar a Deus. Crer é o caminho. Tenho feito um esforço imenso em diminuir minha mania de racionalizar sobre tudo, e assim me entregar aos braços da fé.

Chegam momentos em que a dúvida assalta nosso banco de esperança e tenta minar nosso tesouro. Mas quem um dia não se achou num lugar de dúvida?

Aconteceu com João Batista. Preso, ele envia mensageiros a Jesus para perguntar se ele (Jesus) era mesmo o messias ou teriam de esperar outro. Logo ele que dera testemunho de que Jesus era ‘o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’, agora, numa situação difícil parece descrer e duvidar, do próprio testemunho que dera. Jesus então, cura muitas pessoas e manda dizer a João que curas são realizadas e aos pobres é anunciado o reino de Deus, pois essa era a sua obra!

Jesus não consegue fazer milagres numa cidade, porque ‘ o povo não cria nele’! Ou seja, o não crer, limita o poder de Deus em nossa vida, não que Deus seja um ser limitado, mas ele opera conforme a disposição de crer daquele que deseja ser beneficiado. Não é regra, mas no geral é assim que acontece.

Jesus disse que se tivéssemos fé do tamanho de uma pequena semente de mostarda, mudaríamos a geografia!

Crer é abrir as portas do céu! “Tudo que pedirdes a Deus, CRENDO recebereis”, disse Jesus. Estou aprendendo a crer. Temos que nos entregar como quem não tem medo de nada, como um filho que confia tanto no pai que se atira de cima um muro, acreditando que seu pai o segurará firme em suas mãos! Crer é confiar que nossa vida pertence a Deus ele cuida de cada um de nós.

Esse é um exercício que temos que aprender sempre! Creia e viva!

Moisés Almeida

Igrejas infectadas

Texto de Ricardo Gondim.

Aos 25 anos de idade, depois de várias febres, muita rouquidão e um péssimo hálito, dei o braço a torcer e aceitei que o médico operasse as minhas amídalas.

Resisti o quanto pude porque sabia que as amídalas existem para proteger as vias respiratórias. Contudo, o médico conseguiu me convencer de que as minhas estavam imprestáveis; tão infectadas que já não protegiam, mas contaminavam o resto do organismo. Só restava uma opção, arrancá-las fora. A partir daquele dia, aprendi que um órgão – qualquer um – pode perder a sua função original e passar a atacar o corpo.

Nas relações humanas e sociais acontece o mesmo.

Quando se perdem as finalidades originais, morrem casamentos, empresas, igrejas.

Serve o exemplo da família: pai e mãe devem oferecer um ambiente em que os filhos aprendam a ter confiança, segurança, dignidade. Mas quando acontecem muitas brigas com ódio, quando falta paz, aquela família perde a função de fomentar auto-estima e segurança. Assim, deixa de ajudar e passa a desajustar as crianças.

As religiões também podem virar amídalas infectadas. Bastar ver na história. Inúmeras igrejas criaram ambientes doentios e desumanizadores, quando deviam ser espaços de humanização. Devido a este site, recebo milhares de mensagens sobre assuntos variados, a grande maioria, entretanto, pede ajuda.

Muitos não suportam os sermões vazios com promessas mirabolantes e ameaças de maldição. Entristeço, mas fica óbvio para mim que as lógicas e práticas da igreja evangélica não consegue responder às complexidades do século XXI. Os espaços evangélicos estão febris.
É preciso detectar, rapidamente, onde a infecção se tornou aguda para combatê-la com doses maciças de antibióticos espirituais e éticos; com um bom diagnóstico não será preciso operar o foco da contaminação e ainda preservar o organismo.

Estão infectadas as igrejas que priorizam programas e não relacionamentos. Jesus não tratou a “igreja” como uma instituição, mas como uma comunidade. Igreja são mulheres e homens com um estilo de vida nobre, verdadeiro, que inspiram os outros a glorificar a Deus. Portanto, para o seu eterno propósito dar certo, Jesus não precisa de eventos sofisticados, basta que seus seguidores amem uns aos outros.

Estão infectadas as igrejas que priorizam poder e não serviço. Nas Escrituras, poder só tem sentido quando mobiliza para solidariedade, compaixão, humildade. A busca do poder pelo poder é luciferiana em sua essência. Jesus criou o mundo, mas se esvaziou, encarnou e morreu numa cruz. Os cristãos não almejam tronos, mas bacia e toalha para lavar os pés alheios. Sem esperar aplausos, sentem-se privilegiados de servirem.

Estão infectadas as igrejas que priorizam espetáculo e não discrição. Jesus ensinou que não se devem cobiçar os primeiros lugares; considerou que a autêntica piedade acontece num quarto de portas fechadas; falou que a mão esquerda não deve conhecer o que a direita oferece. Quando Jesus ressuscitou uma menina, respeitou a privacidade da família e não deixou que estranhos entrassem para testemunhar o milagre. Sobram exemplos de seu recato. Certamente, Jesus não se agrada de saber que alguns tentam transformar a fé num show.

Estão infectadas as igrejas que priorizam milagre e não coragem existencial. Paulo considerou tudo como esterco pela excelência do conhecimento de Cristo – esse, somente esse, deve ser o alvo da espiritualidade cristã. Não se cultua a Deus para descobrir um jeito certo de “alcançar milagre” ou para ter uma fé mais “eficiente”. No culto, celebra-se o amor gratuito e unilateral de Deus.

O Evangelho é boa notícia porque todos são aceitos sem exigências. Deus quer bem sem fazer distinção; não se ganha o favor de Deus com obras. Graça é o chão onde todos podem alicerçar a vida com liberdade e sem culpa. O cristão não precisa que Deus conserte as dificuldades da vida, basta a sua companhia.

O Apocalipse foi taxativo com uma igreja infectada: “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se... Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele. O evangélicos precisaram, como nunca, ouvir esta exortação.

Soli Deo Gloria.

Sábado

DEUS E OS ÍDOLOS

Texto de Ricardo Gondim.

Lamento que o fundamentalismo evangélico se confunda com ortodoxia.

O fermento dos fariseus se camufla de piedade e zelo pela "verdade” para se parecer com fé. O fundamentalismo se investe da responsabilidade de defender a Deus de possíveis diminuições de sua majestade; de preservar a Bíblia dos ataques de hereges; e, como guardião do templo, de garantir a perpetuidade da igreja.

Mas todo esse zelo se monta nos pressupostos da filosofia grega, principalmente quando raciocina sobre Deus; quando repete, por exemplo, o conceito aristotélico de que a divindade é um “motor imóvel”. Deus é percebido pelo fundamentalismo como tão absolutamente perfeito, que jamais experimenta qualquer mudança e pode ser engessado pelos dogmas. No outro lado da mesma moeda cometem-se equivocos iguais ao do messianismo judaico.

Por que Jesus Cristo foi escândalo e loucura tanto para gregos como para judeus?

Os gregos procuravam explicar Deus a partir de absolutos metafísicos e os judeus aguardavam um messias poderoso.

O judaismo criou, por séculos, a expectativa ufanista de que o Ungido de Deus se manifestaria como um grande conquistador. Para os setores mais politizados de Israel, ele viria como o libertador final – uma encarnação melhorada e glorificada de Moisés. Para os segmentos mais ortodoxos, fariseus e levitas, o Cristo re-avivaria a obediência da Lei; com um profetismo mais exuberante do que o de Elias.

Nessas duas cosmovisões, Jesus de Nazaré mostrou-se um retumbante fracasso; ele não deixava colar em si ou no Pai que Deus fosse o emissário de um supermessias ou o "movedor imóvel" de Aristóteles.

Jesus horrorizava porque, se o Deus dos fariseus zelava pela lei, ele dizia que os mandamentos podem ser flexibilizados pela misericórdia. A mulher apanhada no próprio ato do adultério experimentou a força de um amor capaz de vergar a rigidez da lei: “Onde estão os teus acusadores?. Eu não te condeno, vá em paz e não peques mais”.

A mulher siro-fenícia, o centurião romano, a senhora “impura” que sofria de uma menstruação crônica, o endemoninhado que vivia em sepulcros, o cego da calçada, todos provaram que qualquer um pode aproximar-se de Deus sem a intermediação sacerdotal – o Nazareno acolheu os “não-eleitos”.

Jesus não amedrontava com um Deus que persegue os rebeldes feito um bedel cósmico; pelo contrário, ele é um Pai ferido que espera pelo filho no alpendre da casa; mais ainda, ele “corre ao encontro” do filho arrependido; e mesmo quando o filho cheira como um porco, Deus o cobre de beijos.

Ricardo Peter intuiu corretamente o porquê do ódio dos fariseus contra Jesus:
"Os fariseus começaram a perceber que Jesus estava mudando radicalmente a maneira de entender quem é Deus. Este Deus teria podido provocar confusão e dispersão entre as pessoas religiosas. O comportamento do Deus anunciado por Jesus, do Deus que demonstra um amor incondicionado pelos pecadores, começava a colocar o Deus dos fariseus na sombra. Tinha início uma luta de ‘Deus contra Deus".

Os religiosos contemporâneos de Jesus queriam que Deus excedesse o poder de Baal, mas Jesus se mostrava fraco, despido de arrogância. Eles desejavam um líder que reunisse milícias mais arrasadoras do que as legiões romanas, mas Jesus pegava crianças no colo e dizia: “O Reino pertence a elas”. Eles ambicionavam guindar Israel como líder do mundo para vingar os vários séculos de opressão, mas Jesus abria o rolo da lei e repetia as palavras do profeta: “O Espírito do Senhor está sobre mim e ele me ungiu para pregar boas notícias aos pobres”. Assim, tomados de indignação, os religiosos conspiraram para matá-lo - se Jesus era a expressa imagem de Deus, precisava ser eliminado; um Deus fraco não serve aos interesses da religião – qualquer uma.

Deus não só eclipsava os pressupostos dos fariseus, como destruía com os de Aristóteles. Jesus não se parecia em nada com a idéia que Deus era “ato puro” ou “motor imóvel”. Em Cristo, a Divindade não é apática. O Emanuel, o Deus conosco, se move de “viscerais afetos” pela viúva que enterra o filho; chora diante da sepultura do amigo. A dor humana dói em Deus – (‘Em toda a angústia deles, foi ele angustiado’ – Isaías 63.9).

Ricardo Peter, com sua intuição sobre a revelação de Deus que Jesus brindou o mundo afirmou:
O Deus de Jesus assume o humano a tal ponto que liberta o homem da exigência de ser como Deus. Deus contém em si, agora o máximo de humanidade. Deus encontra-se imerso no humano. O ‘Reino’ de Jesus não requer seres excepcionais, melhores que o ‘resto dos homens’, que se preocupam em ser por eles contaminados.

Jesus incomoda sobremaneira os religiosos porque mostra que Deus é amor e este amor relativiza qualquer dogmatismo. As exigências e os ritos perdem sua força; os conceitos milenares de um Deus inabalável e severo têm que ser jogados fora.

Os que não distinguem entre o Deus dos gregos e dos fariseus e o Deus de Jesus, têm razão em decretar a sua morte. A expressão ‘Deus está morto’ não passa do grito ressentido de quem se defrontou com a noção errada de Deus. Aquele Deus que lhes foi anunciado como um déspota obcecado pelo poder, realmente, precisa ser sepultado.

O Reino que Jesus de Nazaré revelou não tem paralelo com os reinos humanos; continua despercebido dos poderosos, pois submerge no pequenino, no desprezível – grãos de mostarda, ovelhas indefesas, pessoas ineficientes, servos inúteis, pecadores indignos, prostitutas, leprosos, cegos, mendigos, estrangeiros, exorcistas informais.

Deus escolheu esvaziar-se para revelar-se em seu Filho, Jesus Cristo. As outras divindades merecem ser descartadas como ídolos.

Soli Deo Gloria.